CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
O deputado estadual Oscar Bezerra (PSB) admitiu ter se encontrado com o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) em um estacionamento de supermercado, enquanto presidia a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das obras da Copa, como consta na delação do peemedebista, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
No entanto, ao contrário das alegações do ex-governador, Oscar disse ter ido ao encontro para cobrar uma dívida, contraída por Silval após a campanha eleitoral de 2010.
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“Ele me pediu dinheiro emprestado depois da campanha, que ele estava devendo demais e eu arrumei. Foram R$ 550 mil na época. Isso foi falado na delação do Pedro Nadaf [ex-secretário da Casa Civil], do próprio Silval, e aquele malandro não me pagou. Quando fui encontrar com ele, imaginei que ele queria me fazer uma pactuação da dívida, o que não aconteceu”, contou Bezerra.
Na delação, o ex-governador afirmou que o ex-prefeito de Nobres, Devair Valim, o procurou em nome do deputado estadual para fazer o primeiro contato. Na ocasião, Oscar teria cobrado R$ 15 milhões para “livrar” Silval da CPI da Copa.
“Ele me pediu dinheiro emprestado depois da campanha, que ele ‘tava’ devendo demais e eu arrumei. Foram R$ 550 mil na época. Quando fui encontrar com ele, imaginei que ele queria me fazer uma pactuação da dívida, o que não aconteceu”, contou Bezerra.
“Esse encontro existiu, mas qual era a conversa? ‘Me livra da vida lá do VLT’. Quase que ele me convenceu a dizer que tirou dinheiro do bolso para ajudar a constituir as obras da Copa, nessa reunião, que de fato teve”, pontuou.
O deputado confirmou ter recebido cerca de R$ 200 mil da dívida que teria sido contraída por Silval. Na delação, o ex-governador disse ter repassado o valor como parte do “acordo” para a isenção na CPI.
“Ele pagou [a suposta dívida] ao longo do mandato dele. Foram uns R$ 200 mil, para a Luciane [Bezerra, prefeita de Juara e mulher do parlamentar], no máximo. Ele está devendo ainda e sabe disso. Tanto que ele fala que autorizou o Nadaf a pagar contas dele com a Luciane e eu imaginei que essa conversa proposta pelo Devair fosse para esse fim. Quando entrei no carro era para fazer um entendimento, para isentar”, explicou.
Isenção de crimes
Para o deputado estadual, a intenção de Silval é buscar se eximir dos crimes cometidos contra o Estado.
“É visível a intenção do Silval de querer se eximir de tudo agora. Só está faltando ele dizer que todos os crimes que foram cometidos, não foi o Silval Barbosa [que comentou] e, sim, Pedro Taques [governador], Mauro Mendes [ex-prefeito de Cuiabá], Oscar Bezerra, e assim vai. Esse bandido foi para a cadeia porque fez a malversação do erário público e agora quer pegar a meia cheia de 'caca' e rodear, para quantos mais ele lambuzar, melhor para isentar a responsabilidade dele”, declarou.
"A Polícia Federal, recentemente, detectou todas as irregularidades que eu apontei na CPI da Copa. Então, se tivesse alguma tendência de ter pego algum benefício, a CPI tinha acabado em ‘pizza’. No entanto, não acabou", apontou o parlamentar.
“Quem fala tem que provar. O encontro existiu e, muito pelo contrário do que ele disse, queria propor que eu o isentasse da CPI. Mas não isentei Silval Barbosa na CPI, ou sou redeiro? Se eu peço R$ 15 milhões, fecho por R$ 200 mil? Ou ele é muito bom de pechincha. Conversa fiada. A Polícia Federal, recentemente, detectou todas as irregularidades que eu apontei na CPI da Copa. Então, se tivesse alguma tendência de ter pego algum benefício, a CPI tinha acabado em ‘pizza’. No entanto, não acabou”, apontou o parlamentar.
Delações premiadas
Oscar Bezerra ainda criticou a forma como as delações premiadas estão sendo homologadas pela Justiça. Para ele, antes de receber o benefício, o delator deveria apresentar provas do que está afirmando.
“Se um réu se propõe a confessar, é legítimo o instrumento da delação. Agora, também é legítimo ele ter que apresentar todos os atos probatórios. O instrumento da delação, hoje no país, está virando motivo de extorsão, de tentativa de denegrir. Sem dúvida nenhuma é um dos fatos que precisa ser revisto. Porque a pessoa para receber o benefício da delação, primeiro teria que apresentar as provas, acho que a lei até é assim. Mas, hoje não precisa, simplesmente, se fala alguma coisa e já começa a investigação paralelamente a acontecer e você que tem que provar”, concluiu.














