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11 de Março de 2018, 07h:50 - A | A

PODERES / TENSÃO NO NINHO

DEM pode gerar 'racha' e ameaça reeleição de Taques, dizem analistas

Os Democratas anunciaram que pretendem deixar a base aliada do governador para lançar candidato ao Governo.

RepórterMT/Reprodução

Com a janela partidária aberta, o DEM do ex-senador Jayme Campos, pode levar muitos aliados de Pedro Taques.

Com a janela partidária aberta, o DEM do ex-senador Jayme Campos, pode levar muitos aliados de Pedro Taques.

RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO



O anúncio do ministro da Agricultura e senador licenciado Blairo Maggi (PP) de que não vai concorrer a nenhum cargo nas eleições deste ano mexeu com o cenário político de Mato Grosso e, principalmente, com a base aliada do governador Pedro Taques (PSDB) que até o momento faziam movimentos tímidos quando o assunto era a disputa ao comando do Governo do Estado.

A situação de incerteza com a saída de Blairo ficou muito clara, segundo os analistas políticos João Edisom e Onofre Ribeiro, depois que o Democratas decidiu – durante a eleição da nova Executiva Nacional, em Brasília – que vai lançar candidato próprio ao Palácio Paiaguás em 2018.

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"Um racha [entre o DEM e o PSDB] pode ocasionar uma debandada de grupo e aumentar o grau dificultador. É aquela questão, o inimigo interno é pior que o externo”, observa o professor João Edisom.

“Naquele momento em que o Blairo abriu ‘mão’ da candidatura deu uma mexida danada no tabuleiro. Até então tudo vinha muito pacato, mas, agora, com essa decisão nacional de lançar candidato em Mato Grosso, o DEM pode tirar gente de muito lugar porque estamos com a janela partidária aberta”, analisou Onofre Ribeiro ao citar o racha provocado na base aliada do governador após o anúcio da sigla liderada por ex-senador Jayme Campos.

João Edisom compartilha de um pensamento parecido com o de Onofre. Para o analista, “no momento em que Blairo saiu [da disputa] ocasionou uma desorganização na política. E o que poderia ser favorável para o Pedro está sendo ao contrário. Isso porque se abriu um conjunto de janelas. Um Governo com dificuldade de popularidade não pode ter essa abertura dentro do grupo porque isso causa um impacto muito forte”.

"Se o DEM lançar candidato com a estrutura que tem no Estado puxa muitas pessoas recentes na política, diferente da história do Jayme que é antiga, e, isso, oxigena a sigla. Agora, pode ter certeza que muitos deputados sairão de outras legendas para irem para o Democratas”, declara Onofre Ribeiro.

Taques, segundo João Edisom, precisa agir rápido para solucionar o impasse provocado pela decisão do Democratas em criar um chapa com os três cargos mais cobiçados, que é o de governador e as duas vagas ao Senado.

“A questão mais pesada é o governador resolver isso dentro do grupo dele para enfrentar o grupo de fora, que está muito coeso e com bons nomes. (...) Um racha [entre o DEM e o PSDB] pode ocasionar uma debandada de grupo e aumentar o grau dificultador. É aquela questão, o inimigo interno é pior que o externo”, observa o professor.

Já Onofre Ribeiro complementa o assunto declarando que a situação fica politicamente crítica se avaliarmos que “com a janela partidária aberta [neste mês de março e abril] tem muita gente trocando de partido. Se o DEM lançar candidato com a estrutura que tem no Estado puxa muitas pessoas recentes na política, diferente da história do Jayme que é antiga, e, isso,  oxigena a sigla. Agora, pode ter certeza que muitos deputados sairão de outras legendas para irem para o Democratas”.

A rejeição ao Governo tucano também pode ajudar a ‘minar’ o projeto de reeleição de Pedro Taques.

“Taques tem uma rejeição de 40% e, isso, pode tirar muita gente dos grupos que os apoiam, sem contar da rejeição pessoal do governador. (...) Nós temos três complicações [para o Taques]. A primeira é do Blairo; a segunda é do DEM e a terceira é a possibilidade de Taques não sair candidato”, avalia Onofre.

Ao mesmo tempo, o tucano conta com a poder da caneta como seu maior aliado. Caso se confirme a decisão do DEM, Taques pode desistir ou virar o jogo.

"Se a candidatura do Pedro não se viabilizar haverá candidato ao Governo independente do DEM. A candidatura de Taques pode estar prejudicada, mas a do grupo não”, conclui Onofre Ribeiro.

“A história mostra que o partido que está no comando tem muito poder. No mínimo ele consegue dividir todas as forças políticas em duas partes e fica com uma. Agora, se a candidatura do Pedro não se viabilizar haverá candidato ao Governo independente do DEM. A candidatura de Taques pode estar prejudicada, mas a do grupo não”, conclui Onofre Ribeiro. 

João Edisom encerra análise garantindo que apesar do anúncio nacional, “é muito difícil o grupo ter dois candidatos” e acredita que tudo pode ser um preço colocado pelo Democratas para continuar com Taques nas eleições deste ano.

“Há caso que isso é para forçar a barra. Faço isso para saber o quanto estou valendo para o governador. Agora, se eu estiver valendo pouco toco em frente. Mas é bom lembrar que o DEM é um partido que tem prefeitos em cidades importantes como Várzea Grande e Barra do Garças, além de um conjunto de vereadores muito bom e diretórios nos 141 municípios, sem falar na liderança do Júlio e Jayme”, alerta o analista político.

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Davi 12/03/2018

Todos abandonando o barco a deriva do Taques. Normal. Vai sobrar ele, Gilmar Fabris, wilson Santos, Pedro Satélite, Mauro Savi e Botelho (todos de olho na influência do governador no Judiciário e no Ministério Público para se esquivarem das denúncias de corrupção em andamento).

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1 comentários