CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
O presidente do Inquérito Policial Militar, coronel Jorge Catarino, que investiga escutas telefônicas clandestinas, no âmbito da PM, afirmou nesta quinta-feira (6) que, apesar de serem sigilosas, não pode controlar o vazamento de informações dadas em depoimentos. Ele acredita que as investigações não serão prejudicadas.
“Os depoimentos são sigilosos, mas, pela lei, advogados das partes e promotores podem sair com cópias deles. Então fica meio complicado, não temos como controlar vazamentos”, disse.
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Para o coronel, a liberação de informações sigilosas tumultuam o processo, porém não tiram o foco das investigações.
Com o surgimento de novas informações a respeito dos “grampos”, Catarino pediu mais depoimentos de envolvidos nas escutas clandestinas. Ele não forneceu o número de pessoas que devem ser ouvidas, uma vez que acredita depender das diligências que estão sendo feitas.
“Os depoimentos são sigilosos, mas, pela lei, advogados das partes e promotores podem sair com cópias deles. Então fica meio complicado, não temos como controlar vazamentos”, disse.
“Tem mais pessoas que serão ouvidas, por isso, vou pedir a prorrogação do prazo da investigação pela segunda vez. Não dá para ter certeza de um número porque novas informações vão surgindo no processo”, revelou o coronel.
Questionado se novas prisões poderiam ocorrer no âmbito do inquérito, Catarino disse que não poderia responder.
O último vazamento de informação foi do depoimento do secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira.
Ele declarou que o desembargador Orlando Perri mandou “grampear” o desembargador aposentado José Ferreira Leite e os juízes Marcelo Barros, Antônio Horácio, Irênio Lima Fernandes e Marco Aurélio Ferreira para investigar supostos desvios de recursos do Tribunal de Justiça (TJMT) para a Loja Maçônica Grande Oriente de Mato Grosso. A arapongagem teria ocorrido em 2007 e sob a responsabilidade do próprio Siqueira.
O coronel disse que Perri emitiu os mandados de quebra dos sigilos telefônicos escrito de próprio punho e que entregou todo o relatório das interceptações ao próprio desembargador. Porém, Siqueira diz que as informações tiradas dos grampos não tinham nenhuma ligação com as investigações sobre desvios de recursos do TJ.
Entenda o caso
O esquema de escutas clandestinas foi denunciado pelo promotor de Justiça, Mauro Zaque, em outubro de 2015, quando era secretário de Segurança Pública do Estado. Segundo ele, as interceptações tiveram início em outubro de 2014 e foram mantidas até agosto de 2015.
De acordo com a denúncia, os cabos Gerson Luiz Ferreira e Clayton Dorileo Rosa de Barros, e a sargento Andrea Pereira de Moura Cardoso atuavam no Núcleo de Inteligência da Polícia Militar. Eles tinham acesso aos dados cadastrais dos telefones dos interceptados pela Justiça e a todas informações colhidas durante a quebra de sigilos.
Os militares atuaram no Núcleo de Inteligência em 2015, período em que supostamente ocorreriam as interceptações ilegais, teriam se iniciado em 2014. Este setor da Polícia Militar seria clandestino.
Os policiais eram os responsáveis por fazer relatórios, análises das investigações, observações de números e apontavam pessoas que possivelmente poderiam ter ligações com os casos apurados.
Conforme a denúncia do promotor, as fraudes nas escutas telefônicas ocorriam em razão dos pedidos feitos pela Inteligência da PM. Eles teriam utilizado a prática conhecida como “barriga de aluguel”, na qual eram solicitadas interceptações de eventuais criminosos – no caso, uma quadrilha de tráfico de drogas e, posteriormente de assaltantes – e também eram incluídos nomes de outros alvos, que não tinham relação com os crimes.
O esquema teria grampeado ilegalmente, ao menos, 120 pessoas, desde 2014. Entre os alvos, estão políticos com mandados, assessores, advogados, jornalistas, médicos, policiais, entre outros.
Sargento acusa Siqueira
Em depoimento prestado no mês de maio, a 3º sargento da Polícia Militar, Andréa Pereira de Moura Cardoso, afirmou que atuou no sistema de interceptações telefônicas ilegais a mando, segundo ela, dos coronéis da PM, Zaqueu Barbosa e Airton Siqueira Júnior.
Andréa explicou que no ano de 2014 foi orientada pelo coronel Airton Siqueira a procurar Zaqueu Barbosa no Comando Geral porque tinha um serviço no setor de inteligência na interceptação telefônica. Naquela época, Siqueira comandava o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
Segundo Andréa Cardoso, após alguns dias, Zaqueu lhe telefonou e mandou procurar o cabo Gerson na sede do comando geral. Os dois se encontraram na sala do coronel, onde foi explicado que ela ouviria policiais militares suspeitos de envolvimentos em crimes.
Após um período, Gerson informou que a sargento deveria ir ao edifício Master Center, na Rua Desembargador Ferreira Mendes, número 234, sexto andar, nas proximidades do morro da Caixa D´Água, em Cuiabá, para iniciar os trabalhos. Ao chegar ao local, Andrea encontrou dois quartos com computadores completos e fones de ouvido, além de cerca de 15 telefones celulares acoplados a um outro computador.














