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Cuiabá, 12 de Junho de 2026
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22 de Fevereiro de 2019, 14h:20 - A | A

PODERES / QUEIMA DE ARQUIVO

Bustamante nega informações a Wilson sobre morte de empresário delator

"Se for só juntar papel é melhor deixar a Polícia e o MP fazer a parte deles. Já o deputado tem que investigar sonegação e não homicídio", disse o secretário

MARCIO CAMILO
DA REDAÇÃO



O Secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp), Alexandre Bustamante disse que não vê nenhuma necessidade de repassar informações ao deputado estadual Wilson Santos (PSDB) sobre o andamento das investigações da morte do empresário Wagner Florêncio Pimentel, de 47 anos, alvo e possível delator de um esquema de sonegação de R$ 140 milhões no Estado, revelado pela "Operação Crédito Podre", da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz).

Wilson comanda, na Assembleia Legislativa, a CPI da Sonegação e Renúncia Fiscal. No último dia 13 deste mês, quando conseguiu assinaturas de nove deputados para instaurar a comissão, o tucano afirmou à imprensa que iria oficializar a Polícia Judiciária Civil para que repassasse informações sobre o assassinato do empresário. A suspeita é que o crime se trate de queima de arquivo.

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“Se for só juntar papel é melhor deixar a polícia e o Ministério Público fazer a parte deles. Já o deputado tem que fazer seu papel que é investigar as sonegações e não um homicídio propriamente dito”, disparou o secretário Bustamante em entrevista ao programa Conexão Poder.

Conforme o gestor, o caso é delicado e a divulgação de informação sigilosa pode atrapalhar o andamento do processo.

“Porque se você colocar a investigação aflorada na sociedade às provas desaparecem. Nós temos que olhar o que isso [o repasse de informações] acrescenta numa CPI, se há alguma ferramenta que pode ajudar, a gente vai trabalhar junto”, ponderou.

No entanto, para Bustamante é melhor o deputado aguardar o resultado da polícia, sob responsabilidade do delegado, do Ministério Público e da Justiça.
“As investigações e responsabilidades sejam dadas a quem é de direito. As provas e os materiais necessários sejam requeridos na Justiça e o juiz, aí sim, passar tudo que achar necessário”, sugeriu o secretário.

A CPI

Em público, Wilson defende que a criação da CPI é de suma importância, pois, segundo ele, o Estado sofre com uma sonegação de impostos na ordem de R$ 2 bilhões por ano e faltam critérios mais rigorosos para a concessão dos incentivos fiscais. Além do mais, o deputado ressalta que outras duas CPIs, que abordavam o mesmo tema, realizadas entre 2014 e 2016, não teriam produzidos resultados necessários.

Para funcionar, a CPI ainda precisa ser composta por mais nove deputados, sendo quatro titulares e cinco suplentes. Eles devem ser indicados após a formação dos blocos partidários na Assembleia Legislativa, quando os parlamentares disputam as cadeiras das comissões permanentes e mais importantes da Casa. Ainda não há previsão para isso.

Assinaram a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito os seguintes deputados: Elizeu Nascimento (DC), Valdir Barranco (PT), Lúdio Cabral (PT), Janaina Riva (MDB), Dr. João (MDB), Thiago Silva (MDB), Delegado Claudinei (PSL), João Batista (Pros) e o próprio Wilson Santos.
A CPI deve durar cerca de 180 dias.

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