THIAGO ANDRADE
DA REDAÇÃO
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM), disse que o governador eleito Mauro Mendes (DEM) terá dificuldade para cumprir sua principal promessa de campanha que é “fazer a saúde funcionar”.
O maior obstáculo do democrata será a renúncia de receita no montante de R$ 3 bilhões, por isso, Botelho avalia que será preciso rever a medida e, caso seja necessário, aumentar o fundo para custear a saúde. A declaração foi feita em entrevista ao Jornal da Capital, na rádio Capital FM, na semana passada.
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Para Botelho, o Fundo Estadual de Estabilização Fiscal (FEEF) já existe justamente para isso, porém, o momento é de fazer o enfrentamento contra o volume de incentivos fiscais e destinar parte do dinheiro para custear o fundo.
“A saúde precisa de um valor todos os meses. São R$ 50 milhões, então R$ 50 milhões precisam estar lá para repassar aos hospitais, as prefeituras e com isso resolver o problema da saúde. Falei dessa ideia para o [Rogério] Gallo [secretário de Fazenda] e ele concorda. Achou interessante, então vamos partir pra cima disso e criar esse fundo”, comentou.
“Teremos uma população pobre e uma minoria dona do Estado, devemos tomar ciência disso. Sou a favor da progressividade”, comentou.
Ainda de acordo com o presidente da Assembleia, é preciso avançar também sobre o agronegócio, como exemplo, taxar os produtores de algodão. Mato Grosso é campeão na produção da fibra e ela tem margem de 35% de lucro em um ano.
“Eu sou empresário e tudo que você vai mexer dá um lucro de 7% a 8%”, comparou com gado cuja criação chega a gerar lucro global de 6%.
“Você tem uma margem para contribuir, não vamos matar o agronegócio. Sou contra, inclusive, demonizar o setor, porque ele [agro] é a grande mola propulsora de nosso desenvolvimento. Queremos é que haja uma maior contribuição e participação. Sou a favor também de fazer isso de forma progressiva”, declarou.
Botelho alertou ainda que é necessária a progressividade e comparou Mato Grosso com a África, país onde a desigualdade é imensa, já que tem poucos milionários e a maioria da população passa fome.
“Teremos uma população pobre e uma minoria dona do estado, devemos tomar ciência disso. Por isso, sou a favor da progressividade”, comentou.
Disse ainda que nos últimos anos a área plantada em Mato Grosso aumentou muito, em contrapartida, o número de produtores diminuiu bastante. Para ele, os grandes produtores são como “predadores” que aproveitam as áreas pequenas que se tornam inviável para a produção e arredam ou as compram.
“Um sistema de concentração que precisa ser revisto”, finalizou.















