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07 de Dezembro de 2013, 08h:40 - A | A

OPINIÃO / RAONI RICCI

Sai o aprendiz, entra o feiticeiro

Tudo que faltou para João, no jogo sujo do sistema político, Pinheiro tem de sobra.

RAONI RICCI



Tudo que faltou para João Emanuel (PSD), no jogo sujo do sistema político, o vereador Júlio Pinheiro (PTB) tem de sobra.

Menos de um ano após ser fritado no projeto de reeleição pelo desgaste que representava, “ele está de volta”, estampou A Gazeta, maior jornal da cidade.

Os mesmos vereadores que se recusaram a apoiar o companheiro em janeiro deste ano, agora garantiram a vitória de Júlio. Dos 25 votos possíveis, ele conseguiu 14. Seu grande adversário, na prática, foi a abstenção. Como tudo naquela casa, a eleição foi uma confusão.

Sete vereadores não votaram nem em Júlio, nem em Chico 2000, como forma de protesto por acreditar em desrespeito ao Regimento Interno da Câmara.


"Tudo que faltou para João Emanuel (PSD) no jogo sujo do sistema político o vereador Júlio Pinheiro (PTB) tem de sobra"


Entendiam, embasados por pareceres do jurídico do Parlamento cuiabano, que o vice-presidente, Onofre Junior (PSB), era o dono natural da vaga. Chico 2000 conseguiu apenas dois votos, além do seu. A decisão pode parar na Justiça, mas dificilmente Júlio deixa o comando.

Júlio Pinheiro é um cara de hábitos simples. Nas horas vagas gosta de pitar um cigarrinho, tomar uns tragos, como qualquer um. Ótimo papo. Engraçado, domina as rodas de conversa que participa.

Foi um dos homens fortes do hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE), Antônio Joaquim, de quem até os dias atuais é muito amigo.

No jogo político, é um exímio articulador e tem muita sorte. Na legislatura passada, assumiu a vaga do cassado Ivan Evangelista e, em poucas semanas, pavimentou sua eleição para comandar a mesa diretora.

Na legislatura atual, foi fritado no início do ano, mas assistiu de camarote o escândalo em que se envolveu o ex-presidente e não precisou de mais de dois dias para convencer a maioria dos vereadores de que tinha que ser o presidente tampão.

Seu maior defeito é acreditar piamente ser mais inteligente que todos em sua volta, talvez pelo tamanho da cabeça, bastante avantajada.

Foi pensando assim que ele cometeu algumas cagadas, como a concessão do serviço de abastecimento de água e tratamento de esgoto da cidade. O tema já era polêmico e ficou pior ainda com um golpe aplicado no cidadão.

Para quem não se lembra, Júlio comandou uma manobra que aprovou pela primeira vez a privatização do saneamento de Cuiabá. Chico Galindo, então prefeito, bundou (amarelou no cuiabanês). Deixou a bronca em cima da mesa e viajou. Júlio assumiu o posto de prefeito de Cuiabá.

Do 7° andar, orquestrou uma jogada que considerava ser de mestre. Convidou toda a imprensa para um café da manhã no Alencastro no mesmo dia e horário em que a sociedade discutia em audiência pública na Câmara a concessão.

Sorrateiramente, os vereadores deixaram a audiência pela porta dos fundos para aprovar em regime de urgência a venda da Sanecap no plenário.

Por sorte, um jornalista acompanhava a audiência pública, percebeu a movimentação e acusou o golpe. A notícia caiu como uma bomba.

Um ataque à democracia, previamente e cruelmente planejado, que irritou a todos. Estava consolidada a alcunha de Casa dos Horrores. Muitos dos que participaram da maracutaia foram reprovados nas urnas e veio a tal da renovação.

Sai o aprendiz, entra o feiticeiro. Júlio Pinheiro é a constatação de que a renovação não renovou.

Ainda somos reféns, agora de 25, que com raríssimas exceções, colocam os seus interesses privados acima dos interesses de Cuiabá.

Eu perdi a paciência, o estômago, o fígado, mas quero mudança. E você, quer o quê?

Enquanto isso, eu vou torcer para o prefeito Mauro Mendes ter muita disposição para trabalhar e não tirar férias....

RAONI RICCI é jornalista em Cuiabá.





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ana 13/12/2013

Só gostaria de saber onde estão escondidas as \"exceções\"? Pq não vejo nenhuma!

1 comentários

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