ONOFRE RIBEIRO
Na última quarta-feira escrevi neste espaço o artigo “O mundo e nós”. Nele tratava das projeções da demanda de comida no mundo de hoje até 2050. Os números são de assombrar.
Anotei os mais relevantes e coloquei-os dentro da vocação de Mato Grosso de grande produtor e futuramente de grande processador de alimentos. Reconhecido por todo o mundo. Confesso que esperava alguma repercussão. Principalmente por ter associado os desafios de alcançar a produção, que terá à educação o nosso grande desafio. Curioso. A repercussão foi absolutamente zero.
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Não querendo pensar em alienação coletiva, acho por bem trazer outra vez os números da demanda mundial de comida , de energia e de água de hoje até o ano de 2050. Reproduzo trechos do artigo de quarta-feira: “Em 2050, daqui a 34 anos, portanto, a população mundial crescerá 31%, passando dos atuais 7,1 bilhões para 9,73 bilhões. Serão 6,34 bilhões urbanos e 3,21 bilhões rurais. Isso vai gerar uma demanda de 70% por alimentos, 80% de energia e 55% de água. Hoje o Brasil é responsável por 7% da produção mundial de grãos.
Com o crescimento de 70% na demanda mundial até 2050, o Brasil responderá por 40% de grãos, fibras e energia. É uma montanha de produção. Nesse caso o Brasil responderá por 18% da produção mundial, que será de 965 milhões de toneladas.
Aqui entra o primeiro grande desafio. Se não aumentar a produtividade, serão necessários 210 milhões de hectares para produzir o volume citado. Porém, o Brasil só possui 70 milhões disponíveis, sem desmatamentos. Portanto, a produtividade será a chave pra alcançar a produção esperada.
Mas falar em produtividade é complicado quando comparamos a produtividade da mão de obra do Brasil com a de outros países. No Brasil é de U$ 10.386 por ano. De U$ 24.581, na Argentina, de U$ 29.484 em Mato Grosso (uma ilha de produtividade). Mas nos Estados Unidos é de U$ 78.224”.
Depois a sociedade brasileira reclama dos políticos que não se importam com os temas dela. Não é de se incomodar mesmo, já que uma vez alienada engole qualquer isca. O tema diz respeito aos nossos filhos e netos...!
Quem sabe, se o assunto fosse o último capítulo da novela das 21 hs as pessoas se tocassem. Ou uma partida de futebol desses campeonatos que a televisão inventa pra caçar níqueis...! De qualquer modo, registro forte frustração. Vou assistir novelas e futebol.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro@onofreribeiro.














