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André Duailibi é presidente do Instituto Duailibi e médico especialista em restauração capilar
ANDRÉ DUAILIBI
A alopecia de padrão feminino atinge 32,3% das mulheres adultas no Brasil, segundo estudo publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia. A prevalência sobe de 8% entre 20 e 29 anos para 68% entre 60 e 75. São números altos demais para o silêncio que os cerca. No consultório, a frase que mais escuto de uma mulher que perde cabelo não é uma pergunta, é uma justificativa: é a idade, é o estresse, é a menopausa. Ela chega explicando por que não deveria estar ali.
Parte disso vem de uma associação histórica que colou calvície à figura masculina, até porque no homem ela é mais evidente, com entradas e perda progressiva no topo da cabeça. Na mulher, o padrão costuma ser difuso: o fio vai afinando, o couro cabeludo aparece mais, a risca central se alarga. Durante muito tempo, essa mulher achou que estava simplesmente perdendo cabelo — não que tinha uma condição possível de diagnosticar e tratar.
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E há mais de uma condição possível. Alopecia androgenética, de influência genética e hormonal; eflúvio telógeno, que aparece depois de estresse físico ou emocional, doenças, cirurgias, emagrecimento importante ou uso de certos medicamentos; alopecia areata; alopecias cicatriciais. Cada uma pede um caminho diferente. Por isso insisto que o primeiro passo não é escolher um medicamento, mas descobrir por que aquele cabelo está caindo.
Os hormônios atravessam essa investigação inteira. Adolescência, gestação, pós-parto, tireoide, ovários policísticos, perimenopausa, menopausa — cada uma dessas passagens pode favorecer a miniaturização dos fios em mulheres predispostas. A queda pós-parto é o exemplo mais conhecido e costuma corresponder ao eflúvio telógeno, com recuperação espontânea ao longo dos meses. Isso não significa, porém, que toda queda depois da gravidez deva ser ignorada. Se for muito intensa, prolongada, ou se a densidade não estiver voltando, vale investigar.
A demora tem um custo concreto. Em algumas alopecias, tempo significa perda de oportunidade terapêutica. Um folículo miniaturizado ainda pode responder ao tratamento; quando a perda folicular é definitiva, a conversa passa a ser outra. A alopecia androgenética feminina é progressiva: quanto antes se identifica a miniaturização, maior a chance de preservar o que ainda existe. Só que a alopecia está entre as dez queixas mais frequentes nos consultórios dermatológicos entre mulheres de 15 a 39 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, e o pico de incidência ocorre por volta dos 50. Entre perceber e procurar ajuda costuma haver um intervalo longo, preenchido por cosméticos, vitaminas e indicações de amigas ou da internet.
Também não existe protocolo universal. O tratamento depende do diagnóstico, da idade, do padrão de perda, das condições clínicas, das alterações hormonais e do planejamento gestacional daquela mulher. Como médico, faço questão de dizer que o transplante capilar é apenas uma das saídas possíveis, e não a primeira. Ele é uma alternativa real para mulheres, mas a indicação é criteriosa e depende do tipo de alopecia, da estabilidade da doença e da existência de área doadora adequada. Quando é o caso, o planejamento feminino exige um cuidado próprio: direção, angulação, distribuição e desenho da linha frontal precisam respeitar as características daquele rosto. Não se trata de colocar cabelo, e sim de reconstruir uma moldura facial de forma natural.
O recado que deixo é simples. Percebeu que o volume diminuiu, que a risca está mais larga, que o couro cabeludo aparece mais ou que a queda persiste? Procure uma avaliação especializada. Nenhuma mulher precisa esperar perder muito cabelo para começar a cuidar dele. Na medicina capilar, preservar o que ela ainda tem pode ser tão importante quanto recuperar o que já foi perdido.
André Duailibi é presidente do Instituto Duailibi e médico especialista em restauração capilar.







