ALISSON CARVALHO
Quanto custa gerenciar sem dados? A ineficiência, o desperdício e decisões equivocadas recaem diretamente sobre o cidadão. O Estado de Mato Grosso está entrando em uma fase em que decidir com base em dados deixa de ser opção e passa a ser dever público. Não é modernizar por vaidade, mas por responsabilidade com o dinheiro do contribuinte e a qualidade dos serviços entregues à população.
O Tribunal de Contas de Mato Grosso instituiu a Comissão Permanente de Transformação Digital e Disrupção - CPT2D. Criada pela Emenda Regimental nº 12/2026, a comissão tem a missão de disseminar a cultura de transformação digital, usar inteligência artificial e ciência de dados para dar mais precisão ao controle externo e apoiar a modernização da gestão dos municípios.
O primeiro passo é medir a maturidade digital dos 142 municípios. Sem conhecer seu nível em dados e tecnologia, a administração age no escuro, ignorando riscos e oportunidades.
Maturidade digital não é só ter sistemas. É a capacidade de coletar, proteger e usar dados com qualidade, abrangendo governança, ética, dados abertos, IA e capacitação de equipes. É transformar dados em valor público.
Municípios que não fazem este diagnóstico convivem com bases de dados incompletas e sistemas desconectados, com pouca capacidade de avaliar ações. Ao realizá-lo, o gestor adquire um mapa para concentrar esforços.
O mapeamento é um ato de responsabilidade pública. Não é ranking para expor, mas instrumento para orientar investimentos, qualificar equipes e buscar soluções adequadas à realidade de cada cidade. A participação das prefeituras é decisiva. Respostas superficiais distorcerão o retrato e farão o planejamento perder força.
Responder ao diagnóstico exige olhar crítico interno. É fundamental questionar governança estruturada, armazenamento de dados, regras claras de qualidade, preocupação com a LGPD e se decisões estratégicas se apoiam em evidências ou intuição.
O TCE/MT reforça que a transformação digital deve ser ética e inclusiva, garantindo que dados e algoritmos não ampliem desigualdades nem invisibilizem grupos vulneráveis. O diagnóstico identificará riscos de viés, baixa qualidade de dados ou ausência de controle, permitindo ações corretivas.
Ao organizar um diagnóstico abrangente, alinhado a referenciais nacionais e ancorado na CPT2D, o Tribunal de Contas envia um recado à sociedade: Mato Grosso ocupará destaque na pauta de governo digital e uso ético de IA em prol do cidadão. Para gestores municipais, isso é oportunidade para captar recursos, firmar parcerias e justificar investimentos em tecnologia e capacitação.
Mapear a maturidade digital não é apenas medir o hoje. É criar uma linha mestra para acompanhar a evolução e mostrar resultados objetivos ao cidadão.
Portanto, cabe a cada gestor municipal decidir se será espectador ou protagonista. A Comissão Permanente liderará tecnicamente essa agenda. Aos municípios, cabe responder com seriedade ao diagnóstico e usar os resultados como instrumento de gestão. O mapeamento da maturidade digital não será opcional, mas obrigatório. O não cumprimento ou a falta de engajamento impactarão negativamente o ranking futuro, afetando a imagem do município e a avaliação do gestor. Os matogrossenses merecem municípios eficientes. A transformação digital aqui proposta é fundamental.
Alisson Carvalho de Alencar é Conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso e Presidente da Comissão Permanente de Transformação Digital e Disrupção (CPT2D) do TCE-MT/Pós-doutor pela Universidade de São Paulo - USP; Doutor em Direito pela Universidade de Salamanca, em convênio com a Faculdade Autônoma de Direito (2020); Mestre em Administração Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (2015).















