Haroldo de Arruda Junior
A CPI das obras da Copa tem sido um palco de inúmeras atrações. Recentememte o tão aguardado ex-presidente da Agecopa (Agência de Execução de Projetos da Copa de 2014), Éder Moraes, foi um dos envolvidos a se apresentar. Dos que se calaram, Eder Moraes foi um dos poucos que falou e disse com convicção o que, pelo menos pra ele, é a mais pura verdade.
A palavra que sai da boca do ex homem forte do Governo Silval Barbosa adquire autonomia quase ilimitada porque se desliga dos vinculos do Ser. Em sua independência, aparentemente torna-se disponível e útil pra tudo, não obstante, cabe-nos ressaltar, que esta mesma palavra pode estar contaminada com a mais ardilosa corrupção, crença, persuasão e sugestão.
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Como regra para análise dos que já foram ouvidos pela CPI das Obras da Copa, lembramos que a retórica é alimentada pelo despreparo de quem a recebe, nesse caso de todos ou quase todos os deputados. Immanuel Kant certamente diria que uma das suas máximas caberia muito bem ao palco da CPI, a saber; aquele que não sabe o que procura não identifica o que acha.
Como a arte de persuadir, a retórica desfruta ao fundo as possibilidades de transformar a realidade em ilusão ou mera possibilidade. Ilusão esta que autor acredita ser em muitos casos uma verdade absoluta, incontentável. Assim a verdade (a aletheia) fica cada vez mais distante na medida em que a fina retórica, e seu conjunto de argumentos, são construidos sobre premissas falsas.
O bom "Retor" é capaz de seduzir juizes nos tribunais, conselheiros nos conselhos, deputados na assembleia, em fim em qaulquer outra reunião que se realize entre cidadãos. O Retor tem prazer na persuasão e faz deste instrumento sua arma de defesa, indução, dedução e porque não dizer abdução para tudo que possa atingi-lo.
Somente as provas apresentadas pelos envolvidos nos escâmdalos das Obras da Copa podem dar consistência as armadilhas do pensar garantindo premissas realmente váliadas, que possam garantir o extermínio da impunidade. Lamentavelmente inventar razões tornou-se regra de sobrevivência para muitas autoridades frente a inúmeros escândalos de corrupção. Os que deveriam fiscalizar não fiscalizma e mais tarde criam CPI´s para justificar a própria incompetência, salvo os deputados que não participaram a época.
Senhores não temos problemas de valores. Temos desvios de princípios que contaminam boa parte dos poderes. Enquanto imperar a falsa retórica, seja ela promovida e paga por quem tem prazer na subversão de virtudes em vicios, nossa sociedade estará sempre contaminada por falsos Retores e condenada a conviver com mercenários sofistas.


















