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15 de Dezembro de 2016, 08h:07 - A | A

OPINIÃO /

O colar da rainha

No Brasil, o colar já está nas mãos de um monte de regentes da política

ONOFRE RIBEIRO



A sucessiva queda de pedras do dominó no mundo da política brasileira nesses dias, fez-me lembrar dos últimos dias antes da Revolução Francesa, em 1789. Li há alguns anos a longa história da revolução numa série de 20 volumes do livro “Memórias de Um Médico”, escrito por Alexandre Dumas Filho.

A revolução começou 20 anos antes numa conversa conspiratória numa taverna francesa distante de Paris. Tomou forma e disparou numa conspiração que envolveu a vaidosa rainha Maria Antonieta e um colar de esmeraldas.

O Conde Cagliostro coordenou a conspiração do colar junto aos joalheiros judeus Baume & Mercier. Fizeram chegar à rainha o desejo pelo caríssimo colar de esmeraldas. Ela caiu no jogo e a divulgação de que comprar um colar daquele preço astronômico enquanto a população morria esfomeada, foi o gatilho. Deu o disparo na Revolução com a ida maciça do povo às ruas.

No Brasil, o colar já está nas mãos de um monte de regentes da política. E ao que tudo indica cairão todos. Com a rainha Maria Antonieta caíram o rei Luis XVI, toda a nobreza, o clero subserviente e os comandantes militares do elitizado exército francês.

Caiu Dilma, caíram ministros do PMDB, caíram grandes empresários, caíram senadores deputados influentes, caíram ministros corruptos do governo. Agora já tão distante, ninguém mais se lembra da primeira pedra que caiu. As delações trouxeram as pedras novas pra fila. E elas continuam caindo.

Porém, as grandes emoções virão com as pedras que ainda cairão.  Pode ser que, num golpe de sorte ou de azar, o presidente Temer também entre na fila das pedras do dominó que cairão em breve. Junto dele, uma nata do PSDB e dos demais partidos hoje fortes na República.

Como na França pós-Revolução, abriu-se um campo tenebroso pra uma política nova. A ressaca da Revolução trouxe a guilhotina pra cena. Conta Dumas Filho, que a Praça da Bastilha tinha o sangue dos guilhotinados na altura do joelho dos executores.

A partir daí renasceu a França iluminista que contagiaria o resto da Europa ocidental de monarquias absolutistas. No Brasil, um Congresso renovado e menos podre do que o atual, quem sabe se renovaria com pessoas que vêem a política como causa social e não como campo de negócios vergonhosos. A imagem do colar não me sai da cabeça. À conspiração. Vamos todos nós!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]com.br    www.onofreribeiro.com.br

 

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