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Cuiabá, 23 de Junho de 2026
23 de Junho de 2026

16 de Julho de 2018, 08h:03 - A | A

OPINIÃO / LOUREMBERGUE ALVES

Habilidade e capacidade

Agremiações políticas brasileiras não conseguiram desempenhar seu papel.



Partido político é necessário em um processo eleitoral e democrático. Imprescindível, é bom que se diga. Ainda que se tenha a possibilidade do surgimento de candidato independente.

Possibilidade que não há por aqui, nem a sua existência elimina a importância das siglas partidárias. Pois, em tese, elas servem para instigar os segmentos da sociedade a respeito das mais diversas questões sociais, políticas, econômicas, etc. E, ao fazê-los, coletarem dados para seus próprios discursos e projetos.

Nada disso, contudo, vê-se entre as agremiações políticas brasileiras. Não se viu, inclusive, durante o período mais rico de formação política e participação da população, o qual se estende de 1947 a 1964. A UDN, PTB e o PSD também não se atentaram para esse seu papel tão importante. Embora registrasse alguma coisa nesta direção, mas tudo não passou de fiasco, de silhueta e de intenção. Poderia se pensar que tal silhueta chegasse a ser uma movimentação maior. Mas isso não passa de imaginação.

Imaginação, sequer, que se pode ter com relação aos partidos dos dias atuais. Pois os partidos existentes, que nada têm a ver com os do passado, ainda que se queira que elas possam ter, deixam de lado suas reais funções para se tornarem tão somente locais de carimbo do passaporte para quem deseja ser candidato a quaisquer cargos eletivos.

Nesta descaracterização completa, dão-se ao trabalho de ficarem de joelhos diante da vontade e desejo do seu coronel ou coronéis, ou de um ou outro integrante. É o que se presencia com o DEM/MT, com o ex-prefeito Mauro Mendes, e há muito com o PT, com o ex-presidente Lula da Silva.

O PT, ao contrário do democrata e de qualquer sigla, consegue conquistar dividendos eleitorais significativos toda vez que o nome de sua maior estrela é envolvido. Capacidade e habilidade que não se devem, por razão alguma, ser ignoradas ou esquecidas. Sempre a inverter, trocar a ordem das coisas, e a mudar as palavras de seus reais lugares.

Foi assim com a prisão do Lula, e, agora, com a trapalhada do desembargador Rogério, que concedeu Habeas Corpus ao ex-presidente petista. Tanto esta situação quanto aquela se resultou em atos e manifestos nas principais cidades. Manifestações com o fim de conquistar de dividendos eleitorais. Sempre consegue. Isto tem que ser elogiado, lembrado e dito.

Mas o PT tem apresentado dificuldades nas costuras de alianças. Não é de hoje. Mesmo quando se elegeu o presidente da República por quatro vezes (Lula e Dilma). Bem mais agora, com a ausência de seu maior líder, que ainda se encontra preso. Frustrou-se a tentativa de atrair o PCdoB, seu fiel escudeiro na esquerda, uma vez que este não abre mão de ter a deputada Manuela como candidata.

Frustrou-se também a iniciativa de alguns de seus membros em cooptar o PDT do Ciro Gomes. O ex-governador da Bahia, Jacques Wagner, era um de seus maiores defensores. Frustrou-se ainda a aproximação com o PSB. Ainda que esta sigla não tenha candidato à presidência do país. O ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, desistiu. A cúpula petista tem tentado. Segue em sua investida.

Carlos Siqueira, presidente do PSB, no entanto, disse a cúpula petista que o partido tem grandes chances de seguir com o PDT. Embora haja interesse do PSB pernambucano na aliança com o PT. Isto porque o governador Paulo Câmara (PSB) sairá para a reeleição, e uma das pedras em seu caminho é justamente uma petista, Marília Arraes. Nem isto, contudo, tem ajudado a presidente do PT nas negociações com o PSB. Peca-se a sigla, portanto, na feitura de sua aliança. Justamente em momento em que ela tanto precisa. É isto.

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário

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