Cuiabá, 30 de Janeiro de 2023
logo

08 de Novembro de 2014, 08h:44 - A | A

OPINIÃO /

Golpistas fanfarrões

Manifestação extremista é minoritária e repudiada pela quase totalidade dos que sufragaram Dilma

LUIZ HENRIQUE LIMA



 

Na semana anterior ao segundo turno das eleições presidenciais, publiquei neste espaço um artigo intitulado ‘Segundo turno’. Nele, afirmei: ‘A democracia é a nossa maior conquista como povo civilizado e nos custou décadas de construção e um sofrido aprendizado. 

É sempre tempo de valorizá-la e vivenciá-la com plenitude e sabedoria, respeitando os resultados e a vontade da maioria de nossos cidadãos. Nosso espírito democrático é testado não apenas quando celebramos a vitória de quem apoiamos, mas principalmente quando cumprimentamos o êxito daqueles de quem divergimos.‘

Assim, foi com justificado asco que li o noticiário acerca de manifestação em São Paulo na qual indivíduos insatisfeitos com o resultado final exibiram cartazes solicitando intervenção de militares e a volta da ditadura no Brasil.

Tenho certeza de que essa manifestação extremista é ridiculamente minoritária e que é repudiada pela quase totalidade dos brasileiros de bem que sufragaram de forma expressiva o candidato da oposição. 


Não tenho dúvidas de que se o resultado fosse o inverso, também haveria um ruidoso grupelho de lunáticos, inconformados com o veredicto das urnas, pregando uma insurreição popular, aos moldes de seus ídolos norte-coreanos ou cubanos. 

Igualmente nessa hipótese, estou certo que a quase totalidade dos brasileiros de bem que confiaram na candidatura governista rejeitaria o gesto insano e respeitaria a decisão majoritária do eleitorado.

Nentanto, embora muito minoritários, os extremistas de ambos os lados devem ser denunciados, combatidos e isolados. Não passam de golpistas fanfarrões, mas o gérmen do totalitarismo não deve ser ignorado nem tolerado. 

Trata-se de um monstro que precisa ser abatido no nascedouro. Não há condescendência possível com quem não compartilha os valores da democracia e do pluralismo. 

Como se usa na linguagem diplomática, há uma ‘linha vermelha’ que não pode ser ultrapassada, e essa linha é o respeito à Constituição, ao sufrágio universal e direto e aos direitos individuais e coletivos dos brasileiros.

A tensão dialética entre governo e oposição energiza a democracia. A oposição pode ser exercida com vigor no parlamento e nas mobilizações sociais. 

Denúncias de corrupção e/ou abuso de poder devem ser feitas junto às instituições cabíveis, e suas tempestivas apuração e punição devem ser exigidas. 

Contudo, por maior que seja a discordância, desagrado ou antipatia que se tenha em relação a essa ou aquela autoridade eleita, em nenhuma hipótese se pode cogitar de fazer coro com pantominas golpistas ou dar audiência a um conhecido poltrão pinochetista que se esconde atrás da imunidade parlamentar para vomitar sua pregação liberticida.

Por mais moleques que sejam os que exibiram os infames cartazes na avenida Paulista, não se brinca com coisa séria. 

Aqueles milhões de brasileiros da minha geração que lutaram contra a ditadura armados somente com suas convicções e ideais foram ultrajados em algo que lhes é muito caro: a certeza de que contribuíram para construir um país que não é governado pelo ódio e cujo povo não é assombrado pelo medo. 

Se necessário, lutaremos novamente e sempre.

LUIZ HENRIQUE LIMA é conselheiro substituto do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).

>>> Siga a gente no Twitter e fique bem informado

Comente esta notícia