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Karla Mercedes é fisioterapeuta em saúde pélvica e proprietária da Uropelv, clínica especializada em saúde uropélvica, nutrição e pilates, localizada em Cuiabá.
KARLA MERCEDES
Durante muito tempo, nós mulheres ouvimos que sentir muita cólica era normal. Que algumas tinham mais dor do que outras e que bastava tomar um remédio e esperar passar. Mas será que precisa ser assim?
A endometriose é uma doença crônica que pode provocar dores fortes, principalmente durante a menstruação, além de dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias e, em alguns casos, dificuldades para engravidar. O problema é que muitas mulheres passam anos convivendo com esses sintomas até descobrir o que realmente está acontecendo.
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Segundo o Ministério da Saúde, a endometriose pode atingir entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. Mais preocupante ainda é o tempo que muitas pacientes levam para receber o diagnóstico: a média pode chegar a sete anos entre o início dos sintomas e a confirmação da doença.
Para mim, esse número mostra o quanto ainda precisamos falar sobre o assunto. Porque uma coisa é sentir um desconforto que passa e não interfere na rotina. Outra é ter uma dor que faz a mulher faltar ao trabalho, deixar de sair, evitar uma relação sexual ou simplesmente passar os dias esperando a menstruação terminar.
Depois do diagnóstico, o cuidado também precisa olhar para além da própria doença. A endometriose pode estar acompanhada de alterações musculares e funcionais na região pélvica, que também precisam ser avaliadas. É nesse momento que a fisioterapia pélvica pode fazer parte do tratamento.
Na fisioterapia, avaliamos como essa mulher está se movimentando, como está a musculatura do assoalho pélvico, onde existe tensão, quais movimentos provocam desconforto e de que maneira esses sintomas estão interferindo na rotina. A partir dessa avaliação, podemos trabalhar estratégias individualizadas para melhorar a função, diminuir desconfortos e contribuir para uma melhor qualidade de vida.
É importante deixar claro que a fisioterapia pélvica não cura a endometriose e não substitui o acompanhamento médico. Ela pode fazer parte de um tratamento multidisciplinar, atuando principalmente nas alterações musculares e funcionais relacionadas à dor. E existe um assunto que muitas vezes fica escondido: a vida sexual.
A dor durante a relação pode acontecer em mulheres com endometriose e, com o tempo, pode fazer com que elas passem a evitar a intimidade por medo de sentir dor novamente. Isso pode afetar a autoestima, os relacionamentos e a própria percepção que a mulher tem sobre o seu corpo. Não devemos tratar isso como algo que ela simplesmente precisa aceitar.
Setembro também nos convida a falar sobre saúde sexual. No dia 4, foi celebrado o Dia Mundial da Saúde Sexual, uma data que reforça que sexualidade, bem-estar e qualidade de vida também fazem parte do cuidado com a saúde.
Na Uropelv, vejo de perto como muitas mulheres chegam procurando ajuda depois de muito tempo convivendo com algum tipo de desconforto. E, muitas vezes, uma das primeiras coisas que elas precisam ouvir é que aquilo que estão sentindo merece atenção.
Não existe exagero em procurar ajuda quando a dor começa a atrapalhar a vida. Se a cólica é tão forte que impede suas atividades, se existe dor durante a relação, desconforto pélvico frequente ou se você percebe que sua rotina está sendo limitada por esses sintomas, converse com um profissional de saúde e busque uma avaliação.
Não precisamos aprender a conviver com a dor.
Como fisioterapeuta, acredito que cuidar da saúde pélvica também é devolver à mulher a possibilidade de viver sua rotina com mais conforto, segurança e qualidade de vida.
Contem comigo!
Karla Mercedes é fisioterapeuta em saúde pélvica e proprietária da Uropelv, clínica especializada em saúde uropélvica, nutrição e pilates, localizada em Cuiabá.













