ALFREDO DA MOTA MENEZES
Tem hora que dá para acreditar na frase de não sei quem, de que no Brasil a democracia é o exercício da eterna vigilância.
Fatos recentes apontam que se deve mesmo fazer barulho contra certas tentativas.
Publicou a imprensa que alguns senadores cogitaram criar uma lei em que o Senado tivesse o poder de revisar e reverter decisões do Supremo Tribunal Federal. Pode um troço desses?
O secretário de Comunicação do PT, André Vargas, propôs que não fosse mais ao ar os debates do Supremo Tribunal Federal pela TVJustiça. Assessor de imprensa não fala por si só, ele foi porta voz de gentes e interesses maiores.
O interessante é que a proposta vem às vésperas da discussão sobre o mensalão. O que se quer é que o Brasil não assista ao julgamento em plena campanha eleitoral.
José Dirceu, num encontro da Juventude do PC do B no Rio de Janeiro, conclamou os jovens a irem para as ruas se manifestarem contra a “farsa” do mensalão. Que seria na rua a “última batalha” sobre esse assunto. O cara propôs, às vésperas de se discutir o mensalão no STF, que jovens marchassem nas ruas para pressionar a suprema corte do país.
No lançamento da candidatura de Fernando Haddad para a prefeitura de S. Paulo apareceu um documento do PT que pedia à presidente Dilma que apressasse o envio ao Congresso do “novo marco regulatório” da mídia.
Antes, quando Franklin Martins era ministro de Comunicação Social no governo Lula, se falou em “controle social da mídia”. Agora mudou para o tal marco regulatório que, no fundo, seria o controle da mídia no país. Se teria um órgão ou lugar que diria qual o caminho que se tem que ir.
A intenção é controlar a “imprensa golpista” que só fala a favor das elites. Tem até um termo pejorativo: PIG ou Partido da Imprensa Golpista. PIG, em inglês, quer dizer porco.
Já começa aí a tentativa de desmoralizar quem falar mal de atos, ações ou personagens do PT.
Mas ninguém pode esquecer que foi essa mesma mídia, quando o Lula era eterno candidato à presidência, que lhe dava constantemente espaço. Ele era combativo, apontava o dedo para
erros e a mídia “golpista” dava a ele enorme cobertura.
É de se perguntar: mudou a mídia ou o Lula é que mudou?
Exemplo de mudança: Lula era visceralmente contra Sarney, Collor e Maluf. Hoje são seus aliados. E falar nisso é golpismo.
Na verdade, no Brasil, com uma opaca oposição política e com um Congresso quase todo na base de sustentação do governo (como era no do FHC também), a imprensa diz o que a oposição deveria dizer.
Daí a bronca do PT e aliados. Conseguiram neutralizar a oposição, agora querem controlar a imprensa e, até mesmo, o STF.












