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Cuiabá, 20 de Junho de 2024
20 de Junho de 2024

15 de Novembro de 2022, 06h:08 - A | A

OPINIÃO / ROBERTO BARRETO

Diagnosticando sangramento no intestino delgado



 O intestino delgado é a parte do tubo digestivo que fica entre o estômago e o intestino grosso. O órgão é responsável pela maior parte da digestão e absorção dos alimentos, permitindo que minerais, vitaminas e nutrientes sejam aproveitados pelo organismo.

Qualquer alteração nesta parte do tudo digestivo é difícil de ser analisada pelos métodos tradicionais de investigação por imagem, como a tomografia computadorizada que expõe o paciente à radiação ionizante.

Especificamente sobre o sangramento no intestino delgado, os principais sintomas são vômito com aparência de sangue ou borra de café ou diarreia ou fezes com aspecto de piche. Ao exame físico, palidez cutâneo-mucosa, hipotensão e taquicardia são sinais que se correlacionam com a magnitude da perda sanguínea.

Dois exames são fundamentais para o diagnóstico deste tipo de sangramento: o exame de cápsula endoscópica e a enteroscopia por duplo balão.

A cápsula endoscópica surge como uma solução moderna, segura e precisa para detectar problemas no intestino delgado, especialmente para encontrar hemorragias ocultas no trato digestivo e problemas na superfície interna do órgão, que é uma área difícil de ser avaliada.

Trata-se de exame simples e totalmente indolor que ajuda a localizar a lesão e determinar a extensão da doença no intestino delgado. A cápsula tem o tamanho semelhante à de um comprimido comum e contém, na sua parte interna, um sistema de câmera com transmissão de imagem sem fio.

O paciente ingere a cápsula com o auxílio de um pouco de água.

Depois, ela percorre cada parte do trato digestivo e do intestino delgado, captando mais de 50 a 70 mil imagens que são transmitidas para um gravador fixado na cintura do paciente. O exame dura em torno de 8 horas e a cápsula, que é totalmente descartável, é eliminada nas fezes de forma natural. Após o exame, as imagens são transferidas para o computador que, a partir de um software específico, são analisadas pelo médico especialista.

A flexibilidade do exame é outra vantagem da cápsula, pois o procedimento pode ser realizado no ambiente ambulatorial, em domicílio ou em pacientes internados, mesmo na UTI, e durante o exame a pessoa pode realizar suas atividades cotidianas normalmente.

Já a Enteroscopia com Duplo Balão consiste na utilização de um aparelho um pouco diferente, que apresenta um balão de silicone em sua extremidade para possibilitar a progressão ao longo do intestino delgado que é móvel.

O aparelho é similar ao endoscópio ou colonoscópio, sendo mais longo. Ele desliza dentro de um tubo para auxiliar a progressão por todo o intestino delgado. O procedimento é realizado sob sedação, analgesia ou anestesia geral venosa para reduzir o desconforto e dura cerca de uma a duas horas.

Nos casos de introdução através do ânus, é necessário o preparo dos cólons através da ingestão por via oral de soluções recomendadas, de modo similar ao preparo para colonoscopia.

A técnica endoscópica favorece aos médicos avaliarem todo o intestino delgado do paciente e alcança parte do tubo digestivo inacessível à endoscopia digestiva alta e à colonoscopia. Além de permitir diagnósticos de diversas patologias do intestino delgado, é possível realizar tratamentos terapêuticos que envolvem o sistema digestivo.

Ambas as técnicas são realizadas em Mato Grosso. O importante é procurar um especialista diante dos sintomas para agilidade no diagnóstico e início imediato do tratamento.

Dr. Roberto Barreto é gastroenterologista e endoscopista, presidente da Sobed/MT e integra as equipes da Clínica Vida Diagnóstico e Saúde, IGPA e do CEC.

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