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28 de Dezembro de 2017, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / ROSANA LEITE

Chama a Beta

Ela é apartidária e sem fins lucrativos.



A robô feminista Beta "nasceu" em 28 de agosto do corrente ano. Betânia, nome escolhido em homenagem à cantora Maria Bethânia, é iniciativa da organização denominada "Nossas".

Ela é apartidária e sem fins lucrativos. Tem a importante missão de armar e articular ações visando ao valor do gênero feminino, mostrando os males de projetos de lei que possam prejudicar os direitos humanos das mulheres.

Ela é planejada por Mariana Ribeiro para viralizar pautas e campanhas feministas. É uma forma de reprogramar o sistema feito por homens e para homens, segundo a idealizadora.

Para ter contato com a robô, basta acessar a página do Facebook e puxar assunto. Ela conduzirá a conversa conforme a criação, com parâmetros pré-programados, como funcionam os bots. Mariana que dá o "tom de voz", manda respostas aos seguidores e seguidoras acompanhadas de emojis e hashtags, sobre os direitos humanos das mulheres.

A androide é mantida por um perfil na rede social, respondendo sozinha a perguntas sobre o que é feminismo, machismo e outros. A música que ela informa ser a sua favorita é "Brincar de Viver", da cantora que homenageia com o epíteto.

Em havendo pauta importante para as mulheres debatida em Brasília, Beta envia mensagens a seus mais de 15 mil seguidores com estratégias e instruções para se posicionar.

Em novembro, ela enviou mais de 4.500 e-mails pressionando os deputados da comissão especial sobre a PEC 181/2015, que trata do aumento do prazo da licença maternidade para mulheres que tiverem filhos prematuros, mas, acaba com as possibilidades de aborto legal no Brasil.

Os e-mails também estão frenéticos para combater a PEC 29, que pretende fazer com que o aborto seja 100% proibido em terras brasileiras. O Estatuto do Nascituro é outro grande enfrentamento de Beta.

O universo da internet é masculinizado, apesar de a história apontar que o primeiro computador foi criado por uma inglesa, Ada Lovelace, no século 19. A disputa por espaço nesse campo é ampla, sendo a programação majoritariamente masculinizada.

O pequeno número de mulheres no ativismo digital tem reflexos, e a sociedade pouco percebe. Perfis falsos são criados para difundir mensagens de cunho patriarcal.

Beta não atua para bitolar. Ela oferece aos seguidores inúmeros atalhos automáticos para enviar e receber informações. A criadora explica que Betânia auxilia a aprimorar as respostas a questionamentos enviados.

A função é instruir mais objetivamente possível. Mariana afirma: "É o tipo de tecnologia usada para pautas conservadoras do qual boa parte do campo de direitos das mulheres estava desmunida".

As informações do usuário ou usuária serão acessadas exclusivamente pela equipe do "Nossas". Possui ferramenta de mobilização, captando dados com a finalidade de permitir que eles e elas enviem e-mails de pressão ao poder público.

Os dados fornecidos são proibidos de divulgação, não podendo ser empregados para fins comerciais.

Provocando a robô, ela sempre dará oportunidade de agir sobre os direitos das mulheres. Caso não queira receber mais mensagens, é só informar através de configurações.

É uma forma disponível de se atualizar sobre tudo de mais importante que estiver em voga na luta feminista no Brasil. É possível receber alertas e notificações quando algum assunto estiver precisando de mobilização.

Seguidores e seguidoras poderão participar ativamente para impedir retrocessos e proteger os direitos das mulheres.

Ela mora nas nuvens, sendo de fácil acesso no Facebook. Beta está na linha de frente. #ChamaABetaNoInbox.

ROSANA LEITE DE BARROS é defensora pública estadual em Mato Grosso.

 
 

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