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Cuiabá, 31 de Agosto de 2025
31 de Agosto de 2025

01 de Setembro de 2021, 08h:10 - A | A

OPINIÃO / AUREMÁRCIO CARVALHO

Bolsonaro e a Covid-19

vírus se alastrou e já matou mais de 575 mil pessoas, só no Brasil e , no mundo, mais de 5 milhões.



A pandemia do novo Coronavírus pegou o mundo justamente em um período no qual o movimento de negação a tudo que é científico era crescente. O vírus se alastrou e já matou mais de 575 mil pessoas, só no Brasil e , no mundo, mais de 5 milhões.

A ação e o discurso oficial de negar a ciência fica ainda mais evidente, com informações falsas divulgadas massivamente, inclusive por autoridades, colocando em risco a saúde  e vida das pessoas, a recomendação ostensiva de uso de medicamentos sem eficácia, o ataque ao uso de máscara e medidas profiláticas, a insensiblidade ao valor da vida, as agressões e deboche ao sofrimento alheio, tudo caiu como uma luva para o (des)goveno bolsonarista.

Um dos pontos curiosos que a história mostra é “a crença em uma cura mágica”. Durante a gripe espanhola/1918, se popularizou no país o sal de quinino, usado como medicamento no combate à malária. Ainda que não fosse tratamento para a gripe, as pessoas o tomavam. Hoje é A hidroxocloriquina e outros fármacos inúteis e que rendem milhões para seus produtores, como está provando a CPI.

Há um movimento avassalador nas redes sociais, que democratizaram, de um lado, a informação séria (médicos, cientistas, estudiosos) e, de outro lado, a falta de informação- fakes news,  porque as pessoas não se preocupam em verificar a fonte. A lógica das redes é a do imediatismo, sem respeito à produção de conhecimento, sua veracidade ou coerência. Os maiores absurdos são aceitos e retransmitidos automaticamente. Num país como o Brasil, de extrema desigualdade social, cultural e econômica, a política do negacionismo tende a ter mais sucesso, porque há uma lacuna de conhecimento. 

Vivemos sob um governo autoritário e populista. O presidente acredita que todo conhecimento está nele ou nas pessoas que o rodeiam e compactuam da mesma ideologia, e que não precisa da imprensa, da ciência, tampouco das instituições democráticas de Estado- STF, Congresso, MP e outras,  todas devem servi-lo, ou serão destruídas. Nós vivemos numa sociedade ocidental que não é preparada para a morte, para o luto, nem para gestos de solidariedade. 

 O egoísmo é a norma maior. E isso é comum em contextos endêmicos: as pessoas preferem acreditar num milagre, ou pensamento mágico: tome a cloroquina.  Ou seja, se a ciência não resolve, eu vou resolver de outra maneira. Não é a primeira vez que temos governos populistas e autoritários, sobretudo na América Latina. Nos anos 50, 60, 70, que são os grandes anos do populismo, tivemos os ciclos das ditaduras populistas,  anos 60, 70, e começo de 80, que já tinham esse tipo de perfil de que o presidente está acima das informações, da lei, da CF.

O que temos de novidade agora?  É o populismo autoritário “soft”, eleito na democracia para destrui-la por dentro, com figuras que estão acima da lei, que “são” a nação, que são o Estado - (“O Estado sou Eu”- francês) - governantes ufanistas, pretensamente nacionalistas e acrescidos da vertente religiosa, como grande novidade, geralmente, grupos neo-pentencostais legalistas e fundamentalistas, massa de manobra do Executivo, que parece ter descoberto o quanto Deus e Pátria dão poder e voto. Aliás, Vargas, Mussolini, Collor, Lula e outros fizeram a mesma coisa.

O presidente busca construir uma nostalgia pré-64 nos seus eleitores, fiéis seguidores, o que é uma mitificação da história, pois essa  maioria não a viveu.  É o “mito” falando, e eles vão segui-lo fielmente, não importa o que ele venha a dizer. Daí o caos político de hoje, com plausível aventura militar à vista (7 de setembro), para garantir “ a lei e a ordem”, da desordem que ele fomentou: “o meu exército” vai agir, “faço o que o povo mandar” (não, a CF), “ só Deus me tira daqui” (voto não?), “se não tiver voto impresso, não haverá eleição” ( ele e família que devem seus mandatos desde 1994, às urnas eletrônicas, que agora repudiam).

Ainda, há uma nova verdade por parte dessa militância inflada pelo presidente, o tipo de pensamento “eu não pego porque eu sou atleta, você pega porque é fraco”. E, há também um discurso machista, a  ideia de que aqueles que são “machos” não pegam, que usar máscara “é coisa de viado”. O senador Flávio Bolsonaro está tomando as doses da vacina, descaradamente, embora negacionista como o pai. Saiu do armário? A pandemia escancarou a nossa desigualdade: os mais fracos e marginalizados estão pagando a conta- fome e desespero; a .luta por osso de açougue.

O conceito agora é o “novo normal”. Normal para quem? As pessoas que falam desse novo normal são, em geral, de classe média alta, que vivem em casas confortáveis e tem  renda e emprego. E, nesse grupo, vimos que aumentou o feminicídio, a violência contra a criança e a mulher. No que se refere ao Brasil, sobretudo, e aos países que têm presidentes autoritários, o que está acontecendo é que eles estão apanhando de goleada da pandemia. Rodrigues Alves saiu como herói em 1918. Jair Bolsonaro sairá como um desastre em termos de combate à covid-19. Ou seja, a história se repete para pior. Há um segmento da população com muito ódio, intolerância, e que começou a  tomar o espaço das ruas, redes sociais, espaços que sempre foram progressistas.

O problema é que esse setor retrógrado e violento de direita radical, busca, a todo custo, fazer retroagir justamente essas conquistas.democráticas de 1988. O Presidente permite e inventiva que essas pessoas que são intolerantes pratiquem o ódio, ignorem a lei e a CF impunemente, preguem a volta da Ditadura, do AI-05, a prisão dos ministro do STF, fechamento do Congresso etc e, aliás, com a omissão dos poderes constituídos- STF, PGR, Congresso que poderiam barrar o desastre que se anuncia, face a quase certeza da derrota eleitoral.

O preço a pagar? O 7 de setembro dará o caminho a seguir: Quem sabe não será um novo 7 x 1 contra a democracia e a liberdade? Resta-nos, prezado leitor/a, torcer ao menos por um empate de 0 x 0. Já seria um alívio.

Auremácio Carvalho é Advogado.

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