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03 de Novembro de 2014, 09h:30 - A | A

OPINIÃO /

Amai-vos

Nunca se precisou tanto das ideias, do pensamento racional, como nestes tempos

GONÇALO ANTUNES



Neste momento de angústia política, em que se torna evidente uma razoável divisão ideológica no país, faz-se necessário chamar os intelectuais. 

Não importa se de direita ou esquerda, se de centro ou não. É deles a palavra que se exige, que precisa ser ouvida. 

O resultado do trabalho de um intelectual é constituído de ideias. Não as prescindamos. Adam Smith ou Karl Marx nunca gerenciaram nada, produziram ideias. 

Em magnífica obra - ’Os intelectuais e a sociedade’-, Thomas Sowel sintetiza: ’Inteligência menos julgamento é igual a intelecto. 

Temos também a sabedoria, que é a qualidade mais rara de todas, a qual se verifica na habilidade de combinar intelecto, conhecimento, experiência e julgamento, de forma a produzir uma compreensão ou avaliação coerente. 

A sabedoria é a realização da antiga advertência: em posse do que tens, tenhas compreensão’. 


Nunca se precisou tanto das ideias, do pensamento racional, como nestes tempos em ’terraebrasilis’.

A convocação das universidades, das academias de letras, dos institutos de pesquisas, se faz necessário. 

O entendimento do que se avizinha tem como pressuposto o discernimento científico, portanto, acadêmico. 

Um país de instituições estáveis é um país de riquezas humanas, e as temos, podem apostar. 

O momento exige profunda reflexão. Acaso divididos, a certeza da caminhada se dará elegendo cérebros que nos guiem para fora da turvação da consciência. 

Não se trata de colocar panos frios na peleja, mas pelejar pelo crescimento e união.A sustentabilidade da democracia está a exigir paciência e moderação. 

Chamem os bombeiros de crise, seu gerenciamento é precioso. A retórica machadiana de ’Suje-se Gordo’ deve, agora, sofrer uma releitura para ’suje-se gordo de sabedoria e comiseração’.

Vale a lição de Hannah Arendt (A Vida do Espírito),’podemos concluir que nossos padrões comuns de julgamento, tão firmemente enraizados em pressupostos e preconceitos metafísicos - segundo os quais o essencial encontra-se sob a superfície e a superfície é o superficial -, estão errados; e a nossa convicção corrente de que o que está dentro de nós, nossa vida interior, é mais relevante para o que nós somos do que o que aparece exteriormente não passa de uma ilusão; mas quando tentamos consertar essas falácias, verificamos que nossa linguagem, ou menos nossa terminologia, é falha’.

É o conjunto do ser que se apresenta como essência, um todo que construímos e que se revela na alteridade;e, quando defrontamos com o outro (pensamento e ideal), nos reconhecemos, sem antes projetarmos a consciência em desilusões e tristezas.

Aqui precisamos ser tratados, humanamente tratados, com o remédio dado a gotas, com precisão cirúrgica, eleitas pelos intelectuais, imortalizados (de sua luz somos bronzeados) pelo estudo acadêmico. 

Com Santo Agostinho ficamos, há um abismo no bom coração e no mau coração - ’As emoções são gloriosas quando permanecem nas profundezas, mas não quando vêm à luz e pretendem tornar-se essência e governar’. 

Por que buscar enfraquecer-se? As lutas fratricidas só trazem ódios e irracionalidades. Evitemo-las, pois! 

Elevemos os sentimentos para a construção. O Brasil, gigante, sempre vale a pena! É por aí...

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é professor universitário, magistrado, membro fundador da Associação Poetas del Mundo em Mato Grosso e cronista. 
[email protected]

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