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05 de Outubro de 2016, 20h:38 - A | A

JUDICIÁRIO / 'FILHOS DE GEPETO'

Savi nega participação em esquema e diz não temer operações

Em uma lista divulga por Riva ele aparece como suposto beneficiário do esquema que desviou R$ 9,4 milhões dos cofres da Casa de Leis.

Assessoria

A 2ª fase da operação Ventríloquo, a Filhos de Gepeto foi deflagrada pelo Gaeco nesta quarta

A 2ª fase da operação Ventríloquo, a Filhos de Gepeto foi deflagrada pelo Gaeco nesta quarta

FRANCISCO BORGES
DA REDAÇÃO



Um dos deputados estaduais citados pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva que estariam envolvidos no esquema de desvios de dinheiro desvendado pela Operação Ventríloquo é Mauro Savi (PSB), que após a deflagração da 2ª fase da mesma operação, denominada “Filhos de Gepeto”, disse não temer que ele seja preso. Em uma lista divulga por Riva ele aparece como suposto beneficiário do esquema que desviou R$ 9,4 milhões dos cofres da Casa de Leis. “Não tenho o que temer porque não estou envolvido em nada. Não estou preocupado com novas operações”, garantiu à reportagem.

O golpe apontado na primeira fase da ação, segundo o Ministério Público Estadual (MPE), consistia no pagamento de uma dívida que a Assembleia tinha junto ao banco HSBC, no valor apontado, contraída para cobrir seguro saúde para os servidores. Segundo o MPE, o valor foi pago, mas parte dele voltou para as mãos de Riva que teria dividido entre ele, Savi, além dos deputados Romoaldo Junior (PMDB), Guilherme Maluf (PSDB) e a ex-deputada Luciane Bezerra.

Francisvaldo Mendes Pacheco, que é assessor direto do deputado Romoaldo Junior é acusado de cobrar uma porcentagem na transação fraudulenta que alcançou a margem dos R$ 241,9 mil, do golpe que desviou da AL-MT o montante de R$ 9,4 milhões

Na tarde desta quarta-feira (5), o Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu outro suposto envolvido no esquema. Trata-se de Francisvaldo Mendes Pacheco, que é assessor direto do deputado Romoaldo Junior. Ele é acusado de cobrar uma porcentagem na transação fraudulenta que alcançou a margem dos R$ 241,9 mil.

Narra a denúncia que no período compreendido entre os anos de 2013 e 2014, em Cuiabá/MT, os investigados Francisvaldo Mendes Pacheco, Julio Cesar Domingues Rodrigues, Riva, Anderson Flavio de Godoi, Luiz Marcio Bastos Pommot, Joaquim Fábio Mielli Camargo, bem como outros agentes e Parlamentares Estaduais, constituíram uma organização criminosa estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, com o fito de saquear os cofres públicos, notadamente os recursos públicos da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso. Todos os envolvidos foram denunciados pelo MPE, sendo que Mielli era o advogado banco e participou do esquema, mas que mais tarde fez uma delação que acabou culminando com as operações.

“Francisvaldo exigiu para si uma percentagem do valor que viesse a ser pago, o que posteriormente efetivamente veio a ocorrer, tendo em vista que, conforme quebra de sigilo bancário autorizado judicialmente, logrou-se apurar que a importância de R$ 241.900,00 (duzentos e quarenta e um mil e novecentos reais), que foi depositada em duas parcelas por Joaquim Fabio Mielli Camargo”, diz trecho da denúncia.

"OPERAÇÃO VENTRÍLOQUO"

O MPE acusa Riva de chefiar um esquema que desviou o montante de R$ 9,4 milhões utilizados para quitar uma dívida do mesmo valor com o HSBC. Os débitos, que estavam em atraso, eram referentes ao seguro saúde dos servidores, porém, parte do valor foi supostamente desviado pelo grupo.

Segundo José Riva, vários membros da Mesa Diretora no exercício de 2014 participaram do esquema e autorizaram o pagamento de R$ 5 milhões ao banco, que cobrava débitos referentes a seguros de vida dos servidores da Casa de Leis. A ALMT pagou R$ 9,5 milhões, sendo que R$ 4,5 milhões seriam o desvio dividido entre os parlamentares. Os R$ 5 milhões que deveriam ir para o banco acabaram sendo desviados

Em seus depoimentos Riva afirmou que o esquema teria sido montado pelo deputado Romoaldo Júnior. Além dele, Riva também apontou como beneficiários dos desvios, os deputados Mauro Savi (PSB), Gilmar Fabris (PSD), Luciane Bezerra (PSB) e Guilherme Maluf (PSDB). Todos teriam recebido valores através de ‘laranjas’.

Riva confessou sua participação no desvio, tendo recebido R$ 806 mil que teria utilizado para quitar duas dívidas com fornecedores.

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