CELLY SILVA
DA REPORTAGEM
Após serem acusados pelo servidor da Assembleia Legislativa Odenil Rodrigues de Almeida, que afirmou ter recebido ordens de Luiz Márcios Bastos Pommot, ex-secretário geral da AL para que cedesse sua conta para uma transferência de R$ 50 mil, valor que teria sido repassado ao ex-procurador geral da Casa de Leis, Anderson Godoi, em 26 de fevereiro de 2014, Pommott e Godoi pediram para ser interrogados novamente, na tarde desta quinta-feira (23), na Sétima Vara Criminal.
À juíza Selma Rosane Santos Arruda, titular da vara, Anderson Godoi se defendeu dizendo que nunca teve contato com Odenil Almeida e que jamais recebeu qualquer dinheiro dele. Segundo ele, na manhã do dia 26 de fevereiro de 2014, ele estava no dentista, o que contraria a versão de Odenil, que disse ter sido procurado por ele na manhã daquele dia para cobrar os R$ 50 mil.
Segundo Godoi, Odenil inventou essa versão para “livrar” a ele e ao real destinatário dos R$ 50 mil transferidos para a conta dele pelo então advogado do Banco Bamerindus (atual HSBC), Joaquim Mieli. “Esse cara está falando uma grande mentira!”, disparou.
“Eu não sou uma pessoa ambiciosa, levo uma vida simples. [...] O meu apartamento fica num prédio que nem tem elevador!”, disse o ex-procurador da Assembleia e atual assessor parlamentar em sua defesa.
Godoi também apontou contradições no depoimento de Odenil, como o fato de ora ele dizer que foi procurado por Godoi antes de sacar o dinheiro, ora dizer que foi procurado depois. Além disso, Odenil não soube dizer quem foram seus chefes na primeira secretaria, onde é lotado. Disse apenas que era subordinado à Márcio Pommot, mas este era lotado na secretaria geral, que não exerce chefia sobre a primeira secretaria, conforme explicou Godoi.
O ex-procurador também afirmou que Odenil mentiu ao dizer que sacou os R$ 50 mil no Posto de Atendimento Bancário (PAB) do Banco do Brasil dentro da Assembleia Legislativa sem ter realizado previsão de saque com antecedência, pois esta seria uma normativa das agências bancárias para saque de valores considerados altos. Odenil disse que conseguiu sacar o valor porque era conhecido do funcionário do PAB.
Anderson Godoi acusou Odenil Almeida de estar acobertando o deputado estadual e presidente da Assembleia, Guilherme Maluf, com quem ele tem ligação de amizade, tendo sido indicado pelo parlamentar para trabalhar tanto na Assembleia, quanto no hospital Santa Rosa.
Por fim, Godoi também acusou Odenil de nepotismo porque sua esposa também havia trabalhado no gabinete do deputado estadual e solicitou que fosse analisada a ficha de caixa do PAB do Banco do Brasil da Assembleia para confirmar se Odenil realmente sacou o dinheiro lá, conforme testemunhou em Juízo. Os pedidos foram aceitos pela juíza Selma Rosane.
O servidor da Assembleia, Luiz Márcios Bastos Pommot, réu na ação penal, também refutou as informações prestadas por Odenil Almeida e disse que nunca foi chefe dele e nem tinha contato com o mesmo, razão pela qual não teria motivos para procura-lo e pedir sua conta emprestada.
Pommot disse que, ao contrário do que Odenil relatou sobre sentir medo de perder o emprego caso não atendesse o pedido de Pommot não tinha fundamento naquela época, mas sim agora que ele foi citado no processo. “Eu acho que ele tem medo hoje que ele ganha um bom salário e praticamente não faz nada”, afirmou, indicando que alguém teria orientado Odenil a procurar o Gaeco com uma versão que despistasse o real destinatário dos R$ 50 mil recebidos por ele.
Tanto Pommot quanto José Riva desmentiram a versão de que Odenil trabalha na primeira secretaria. Segundo José Riva, o servidor sempre trabalhou no gabinete de Guilherme Maluf.
Além do presidente da Assembleia, Pommot disse acreditar que outros deputados estariam envolvidos no desvio dos 9,4 milhões que deveriam ser utilizados para pagar uma dívida com o Banco Bamerindus (atual HSBC). Ele teria sido procurado por membros da mesa diretora da ALMT, na época, para ajuda-los no esquema que os ajudaria a quitar dívidas pessoais, mas ele teria se negado a participar e negou ter recebido vantagem indevida dessas negociações com o advogado Joaquim Miele, que representava o banco.














