MAYARA MICHELS
DA REDAÇÃO
A Polícia Federal encontrou nota promissória de R$ 40 milhões na casa do ex-secretário Eder Moraes. No total foram 72 notas promissórias apreendidas pelos agentes federais, em cumprimento de mandado de busca e apreensão, em fevereiro passado, durante a quarta etapa da Operação Ararath, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. A análise das notas motivou o pedido de prisão de Eder pelo juiz Jferson Schneider.
“A existência de tais notas promissórias converge para os seguintes indícios já delineados: a) em razão da quantidade e valores envolvidos, Eder de Moraes não estaria agindo sozinho, sendo plausível que, de fato, estaria agindo em nome de Blairo Maggi e Silval Barbosa;
b) Eder era o grande operador do esquema, o que justifica a posse das promissórias, uma vez que ele seria o responsável por resgatá-las”, diz Schineider em trecho de sua decisão.
Além do agiota Júnior Mendonça, magistrado cita outros empresários como Waldir Agostinho Piran, Fernando Mendonça, dono do Atacado Mendonça.
Júnior Mendonça é a principal testemunha e investigado no caso e foi beneficiado pela delação premiada. Ao abrir a boca, Mendonça acabou "derrubando a casa" de muita gente. O atacado, por sinal, é tido pela investigação como 'de fachada'.
“A nota promissória no valor de R$ 4.449.829,26, emitida em 14/05/2010, com vencimento em 30/06/2010 tem com emitente Eder Moraes e credor à empresa Comércio Regional de Alimentos Ltda., ligada a Fernando Mendonça França”.
O magistrado avalia a operação como clandestina, dizendo que há fortes indícios de que Fernando Mendonça é um dos que operam instituição financeira clandestina no Estado.
"Considerando-se, entretanto, o fato de terem [promissórias] sido resgatadas por Eder de Moraes são, provavelmente, objeto de operações financeiras ilegais e lavagem de dinheiro”, diz o magistrado em trecho de sua decisão.
O ex-secretário foi preso na última terça-feira (20) e está no Presídio da Papuda, em Brasília.


















