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18 de Novembro de 2016, 14h:54 - A | A

JUDICIÁRIO / MÁFIA DA EDUCAÇÃO

Esquema era comandado na Guizardi Júnior Construtora, confirma testemunha

Edézio Ferreira era prestador de serviço de Giovani Guizardi e presenciou réus da ação reunidos na sala que é chamada de "quartel general" pelo MPE.

CELLY SILVA
DA REPORTAGEM



Uma das testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPE), o empresário e engenheiro eletricista Edézio Ferrreira da Silva disse que, entre setembro de 2015 e fevereiro de 2016, o empresário e réu na ação penal da operação Rêmora Giovani Guizardi, a quem ele prestava serviço, se reuniu com os ex-servidores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Wander dos Reis e Fábio Frigeri, além dos empreários Luís Fernando Rondon e Esper Haddad, todos eles réus juntamente com Guizardi.

A declaração foi feita na tarde desta sexta-feira (18), à juíza Selma Rosane Santos Arruda, da Sétima Vara Criminal, que conduz o processo que apura fraudes em licitações de obras de construção e reforma de escolas estaduais, no suposto esquema de corrupção liderado pelo ex-secretário de Estado de Educação Permínio Pinto Filho (PSDB). 

Edézio contou que começou a prestar serviços para a empresa Guizardi Júnior Construtora no ano de 2013, ajudando na elaboração de projetos para participação em licitações. Segundo a testemunha, no ano de 2015, o empresário e réu na ação penal, Giovani Guizardi, pediu a ele que alugasse uma sala comercial no edifício Avant Garden Business, no bairro Santa Rosa. Após as investigações, o local foi apelidado pelo MPE de "quartel general" por ser onde supostamente ocorriam as reuniões do grupo para fraudar as licitações de obras da Secretaria de Educação. 

Questionado pelo promotor de justiça Carlos Zarour, Edézio conta que nunca participou de nenhuma reunião feita entre Giovani e seus convidados, mas que se lembra de ter visto os ex-servidores Wander dos Reis e Fábio Frigeri e os empresários Luís Fernando Rondon e o sogro deste, Esper Haddad. Ele diz que houve pouquíssimas reuniões naquele local. 

Ele também afirma que prestou serviços relacionados às licitações alvos da operação Rêmora, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Questionado pelo advogado George Alves, que faz a defesa de Giovani Guizardi, ele nega que teha recebido algum pedido para inserir no projeto valores alheios a realidade praticada no mercado ou qualquer outra informação incorreta. Segundo ele, as normas técnicas eram utilizadas na elaboração de seus projetos. A tarefa dele junto a empresa de Guizardi era fazer projetos de engenharia voltados para licitações, além de compras de planilhas e programas. 

A testemunha afirmou ainda que o aluguel da sala comercial no Santa Rosa ficava no nome de sua empresa, isso a pedido de Giovani Guizardi, mas ele disse que nunca viu problema nenhum nisso e nem questionou Giovani sobre o motivo para não querer assumir o contrato. Ele conta que o aluguel do local custava R$ 2,1 mil e que esse valor, além dos demais custos da sala, como condomínio, energia elétrica e internet lhe eram repassados em espécie mensalmente por Guizardi. 

 

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