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12 de Dezembro de 2016, 21h:00 - A | A

JUDICIÁRIO / DEPOIMENTO DA RÊMORA

Empresário confirma que intermediou esquema entre cartel e Seduc

Rondon é réu e delator na Operação Rêmora, que apura fraudes em licitações e cobranças de propinas na Seduc. Guizardi é apontado como operador da propina

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



O empresário Luiz Fernando da Costa Rondon, dono da Luma Construtora, confirmou que foi o intermediário entre o cartel que se formou entre empreiteiros que se submeteram ao esquema de fraudes na Secretaria de Estado de Educação e o empresário Giovani Guizardi.

Rondon é réu e delator na Operação Rêmora, que apura fraudes em licitações e cobranças de propinas na Seduc. Guizardi é apontado como operador da propina.

As declarações foram feitas na tarde desta segunda-feira (12), à juíza Selma Rosane Santos Arruda, durante audiência de instrução, na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Segundo o empreiteiro, tudo começou quando, no início do Governo de Pedro Taques (PSDB), um decreto suspendeu por 100 dias os pagamentos de medições de obras, o que gerou instabilidade e incerteza entre os empreiteiros que, como ele, tinham contratos com a Seduc.

Diante da situação, ele procurou o então secretário Permínio Pinto (PSDB) para saber se o decreto valeria também para a pasta da Educação, e este teria afirmado que as obras e os pagamentos seguiriam normalmente.

No entanto, depois de algum tempo, os pagamentos começaram a atrasar para vários empresários. Foi quando eles se organizaram, em um grupo de WhatsApp, para tratar sobre o assunto e definir formas de cobrar a Seduc.

O empresário seguiu contando que, em uma de suas idas à secretaria, para falar com o responsável pelo setor de Engenharia, o então servidor Fábio Frigeri lhe entregou um papel com o nome do empresário Giovani Guizardi e seu telefone e o orientou a procurá-lo.

Rondon contou que telefonou para o número indicado, mas não foi atendido. Logo em seguida, Guizardi lhe retornou de outro número e ambos marcaram um encontro na empresa de Giovani.

Nessa reunião, Rondon teria sido apresentado ao esquema de cobrança de propina, mas isso não foi dito claramente por Giovani, que mostrou a tela de um tablete, onde estava escrito que, a partir de então, os empreiteiros com contrato com a Seduc teriam que pagar 5% dos valores recebidos para ele.

Rondon disse que perguntou a Guizardi se Permínio Pinto sabia daquilo e este teria feito um sinal afirmativo com a mão.

O empreiteiro afirmou que conversou com os demais empresários com quem tinha contato, e que também estavam insatisfeitos e alegavam não ter condições para pagar a propina exigida.

Tal situação foi levada por ele a Giovani Guizardi, que o orientou a conversar com o grupo de empreiteiros e entrar em um acordo, que terminou com a diminuição do valor da propina.

O que, novamente, foi levado por Rondon a Guizardi, que ficou de averiguar a possibilidade, dando a entender que teria que conversar com alguém acima dele.

Depois de alguns dias, Guizardi teria informado a Rondon que havia conseguido reduzir o valor de propina de 5% para 3%.

Mas Rondon já havia decidido que não iria pagar nada porque estava passando por dificuldades em sua empresa.

Ele contou ainda que acionou o Sinduscon, o sindicato que representa as empresas de construção civil.

Apesar da insatisfação, o empresário disse que pagou propina apenas uma vez, no valor de R$ 4,8 mil, e afirmou que participou da reunião que definiu o loteamento das obras a serem licitadas, mas que não ganhou a obra que queria, por conta do rompimento com o grupo.

Ele também negou que tenha recebido algum benefício por ter organizado o núcleo de empresários membros do cartel. 

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