DA REDAÇÃO
O ex-secretário de Fazenda e da Copa, Eder Moraes, preso pela Polícia Federal, nesta terça (20), manteve com o promotor de Mato Grosso, Marcos Regenold, relações consideradas espúrias pelo Ministério Público Federal e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O ministro também considera que as maiores autoridade do estado estão imbricadas (irmanadas) nos fatos em investigação e que, por isso, se fez necessária a prisão de Eder em Brasília.
Em seu relatório, que culminou com o desencadeamento da quinta fase da Operação Ararath, da Polícia Federal, Toffoli diz que Eder articulou-se com Regenold, em exercício no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPE-MT, para obter o que chamou de "proteção" para se blindar das investigações federais em curso.
Eder Moraes manteve, entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014, contatos com a PF, intermediados por Regenold
Segundo o relatório, Eder manteve, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência, ocorrido em fevereiro último, diálogos com o promotor, interceptados pela Polícia Federal, onde Eder, segundo o ministro, parece cobrar de Regenold uma explicação sobre a investida da PF em sua casa.
Em outro diálogo, mantido via SMS, também interceptado pela PF, o promotor do MPE, segundo o STF, dá claros indícios de estar atuando no Ministério Público Federal (MPF) e no Departamento de Polícia Federal em favor do ex-secretário da Copa. Diz o relatório de Toffoli que o SMS, em questão, dava orientação a Eder de como prestar o depoimento no MPE-MT.
A fundamentação para o pedido de prisão de Eder diz ainda que o ex-homem forte do governo Silval Barbosa (PMDB), com 'provável' auxílio de Regenold, tentaria induzir a Polícia Federal a acreditar que ele estaria disposto a atuar como "colaborador premiado" nas investigações. O STF aponta ainda que Eder Moraes manteve, entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014, contatos com a PF, intermediados por Regenold com a finalidade 'simulada' de tornar-se colaborador.
A prisão de Eder, segundo o ministro, é para evitar que o acusado exerça sua influência nas instituições públicas de Mato Grosso. "Se em liberdade procurará mobilizar todos os meios a seu alcance para obstruir a elucidação da verdade, criando risco concreto para o êxito da investigação", diz trecho do relatório que embasa a decisão.
Após a prisão de Eder, os advogados disseram que será pedido oficialmente o benefício da delação premiada, como fez o agiota Gercio Marcelino Mendonça Júnior, conhecido como Júnior Mendonça.
CONFIRA ABAIXO O DIÁLOGO DE EDER COM REGENOLD DO DIA EM QUE A PF VISITOU A CASA DO EX-SECRETÁRIO
Conversa foi interceptada pela Polícia Federal


















