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Eder ainda frisou que essas acusações seriam levianas e estariam onerando os cofres do estado ao acionar a Justiça.
MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO
O ex-secretário de Estado Eder Moraes afirmou na tarde desta terça-feira (14), ao chegar na Justiça Federal para depor sobre o processo que responde por lavagem de dinheiro e ocultação de bens junto com o ex-secretário do Tesouro Vivaldo Lopes, que iria declarar ao juiz federal Jeferson Schnneider que todas as transações financeiras feitas entre eles e o agiota Gércio Marcelino Mendonça Júnior, hoje delator do processo e Vivaldo, que somariam cerca de R$ 520 mil, foram para beneficiar o time de futebol Mixto Esporte Clube do qual era presidente.
“Vou dizer que os recursos eram 100% para o Mixto Esporte Clube como já ficou comprovado e essa é mais uma acusação que cai por terra”, disse Eder.
Eder argumenta que não houve nenhuma irregularidade, pois segundo ele não há acusação de dolo, de má fé ou uso indevido de recursos.
"Nós fomos alguns desses abnegados que lutaram pelo futebol de Mato Grosso e restaram acusações infundadas e que estão caindo por terra”
“Ele [Vivaldo] é absolutamente inocente como nós somos também. Não houve nenhum tipo de movimentação atípica isso ficou comprovado, transferência da factoring [de Júnior Mendonça] para a conta da Brisa Consultoria [de Vivaldo], enfim os recursos usados para ajudam um time de futebol. Nós decidimos ajudar alguns clubes. Ajudamos vários clubes de futebol”, ressaltou.
À imprensa o réu da Ararath disse que Júnior Mendonça costumava fazer doações ao Mixto, mas que não seria um patrocinador do time porque não quis divulgar sua marca [da rede de postos de combustíveis Amazônia Petróleo].
Respondendo por lavagem de dinheiro e ocultação de bens Eder classifica que toda essa movimentação financeira entre ele Vivaldo e Júnior Mendonça seria um trabalho voluntário em prol do futebol mato-grossense.
“Quem está no futebol sabe que a sobrevivência do futebol mato-grossense depende de alguns abnegados, de alguns voluntários, nós fomos alguns desses abnegados que lutaram pelo futebol de Mato Grosso e restaram acusações infundadas e que estão caindo por terra a cada declaração e a cada depoimento que é feito”, defendeu.
Eder ainda frisou que essas acusações seriam levianas e estariam onerando os cofres do estado ao acionar a Justiça.
"Onde que está o crime nisso? Então são leviandades que são levantadas e que ocupam o tempo do poder Judiciário"
“Houve uma operação de empréstimo, essa operação foi liquidada com recursos de patrocinadores. Não vejo qual a atipicidade disso. Onde que está o crime nisso? Então são leviandades que são levantadas e que ocupam o tempo do poder Judiciário e vai contra o princípio da economicidade da economia processual”, disparou.
AUDIÊNCIA
O depoimento prestado nesta terça-feira pelo ex-secretário das gestões dos governos de Blairo Maggi (PR) e Silval Barbosa (PMDB) é referente ao processo que foi desmembrado do processo original da Ararath porque a defesa de Vivaldo Lopes conseguiu tempo extra comprovando a necessidade de uma perícia contábil.
Na última sexta-feira (10) o juiz federal Jeferson Schnneider ouviu o depoimento de Vivaldo e adiou Eder para esta terça-feira alegando falta de tempo hábil por precisar ouvir um réu preso.
VERSÃO DA DEFESA
O advogado Ulisses Rabaneda, que faz a defesa de Vivaldo Lopes, afirma estar confiante e que irá conseguir provar a inocência de seu cliente e espera que o processo esteja julgado até o fim deste ano.
À imprensa Rabaneda falou sobre a importância do depoimento de Eder para o processo de seu cliente.
“O interrogatório do Eder vai ser muito importante porque ele vai dizer como o dinheiro chegou na conta do Vivaldo. É um depoimento que traz ao processo essas informações que até então não constam nos autos.”, frisou.
A versão da defesa de Vivaldo segue a mesma relatada por Eder.
“A questão é bem simples o Vivaldo estava fazendo pagamentos para o Mixto Esporte Clube e esses pagamentos era feito uma prestação de contas do Mixto e posteriormente era feito um pagamento a ele através de patrocínio. Então era falado a ele [Vivaldo] que iria entrar um dinheiro de verba de patrocínio e o dinheiro ingressava na conta como verba de patrocínio, ele tinha ciência que a origem do dinheiro era a decorrência dessas verbas então as transações são absolutamente lícitas”, destacou.
VIVALDO NA ARARATH
Vivaldo, que foi adjunto de Moraes na Secretaria de Fazenda, tem sua participação no esquema investigado de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro, apontada a partir de transferências bancárias para conta de sua empresa, Brisa Consultoria, feitas pelo agiota, Gércio Marcelino Mendonça Júnior, que seria o ‘testa de ferro’ de Eder no ‘sistema’ que usava várias movimentações financeiras para dificultar o rastreamento dos recursos.
As transferências feitas por Júnior Mendonça, hoje delator do processo, para a empresa Brisa Consultoria de janeiro a março de 2010 somam R$ 520 mil.
Em fevereiro de 2014, a Brisa Consultoria foi alvo de busca e apreensão da quarta fase da Operação Ararath, quando apreenderam documentos que interligavam transações entre a empresa, Vivaldo, Eder Moraes e o time de futebol, então presidido por Eder, o Mixto Esporte Clube.

















