CELLY SILVA
MARCIA MATOS
Em sequência às oitivas da ação penal referente à 2ª e 3ª fase da “Operação Sodoma”, o empresário Willians Mischur, que chegou a ser preso durante as investigações e hoje depõe como vítima do esquema de cobrança de propinas a empresas que tinham contratos ou incentivos fiscais, junto ao governo do Estado, na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), afirmou que praticamente “trabalhava de graça”, afirmando que a extorsão lhe tirava a maior parte dos lucros e reclamou que, atualmente, vem sofrendo sérios prejuízos por ser tido como envolvido nas fraudes.
“Estou perdendo tudo o que eu tinha. Estão me desmoralizando!”, disse Willians a respeito da recente decisão do governo em romper o contrato com a empresa dele.
“Estou perdendo tudo o que eu tinha. Estão me desmoralizando!”, disse Willians a respeito da recente decisão do governo em romper o contrato com a empresa dele.
Revoltado, Mischur, que é dono da empresa Consignum, que até este mês era contratada pelo governo do Estado para disponibilizar aos servidores o serviço de empréstimo consignado, afirmou à juíza Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, que não teria lucrado nada com o esquema e apenas sofrido prejuízos que se estendem até hoje.
À magistrada, ele argumentou que nunca gerou nenhum prejuízo para o Estado porque a empresa dele não é remunerada pelo governo e sim pelos bancos.
“Praticamente eu trabalhei de graça porque a empresa não suportava mais aquela quantia”, afirmou.
Questionado pelo advogado Vitor Azevedo, que faz a defesa de Sílvio Côrrea, ex-chefe de Gabinete de Silval, sobre a motivação de guardar R$ 1 milhão em casa, conforme revelou a Operação Sodoma em mandado de busca e apreensão, Mischur foi irônico ao responder: “primeiro porque eu posso, segundo porque eu estava negativado com o banco. Eu saí do Serasa tem 30 dias. E não foi R$ 1 milhão. Foi 1 milhão, 270 mil Euros”, frisou.
O empresário disse que o montante seria para pagar a festa de aniversário da filha dele e um curso nos Estados Unidos.
Sobre o esquema de propinas ele disse que aceitou a chantagem para não perder a liderança no mercado.
“Porque senão ia ficar muito feio para a gente perder o maior mercado dentro de casa. Eu não podia deixar a concorrência entrar”, argumentou, mas reclamou que o preço era tão alto que “engolia” os lucros da empresa.
"Primeiro porque eu posso, segundo porque eu estava negativado com o banco. Eu saí do Serasa tem 30 dias. E não foi R$ 1 milhão. Foi R$ 1 milhão, duzentos e sessenta mil e euros”, frisou o empresário sobre montante em sua casa.
“Praticamente eu trabalhei de graça porque a empresa não suportava mais aquela quantia”, afirmou.
À magistrada o empresário voltou a relatar como teriam iniciado as extorsões e como funcionava o esquema fraudulento, que teria sido criado para saldar as dívidas de campanha do ex-governador.
Segundo ele logo no início da gestão de Silval, o ex-secretário de Administração, César Zílio o procurou e fez a ‘proposta’ alegando que a empresa dele poderia ser declarada inidônea. A propina mensal exigida seria inicialmente de R$ 700 mil, mas Mischur alegou que o preço era alto e acabou aceitando pagar R$ 500 mil. O valor e era repassado diretamente a Zílio no gabinete dele, ou na sede da Consignum.
Outro ponto polêmico do depoimento do empresário é sobre a participação do ex-governador. Novamente Mischur afirmou que esteve tratando sobre a propina com Silval por duas vezes. A primeira teria sido no gabinete dele, onde foi levado pelo ex-secretário adjunto de Administração, Pedro Elias, ainda dois meses antes deste assumir a pasta. No local Silval teria lhe perguntado quanto estava pagando a Zílio e ele confirmou que seria R$ 500 mil. O empresário diz que teria perguntado se era para continuar pagando e Silval teria dito que sim.
O outro encontro com o ex-governador teria sido no apartamento do mesmo. Segundo ele novamente Pedro Elias o teria buscado em casa e levado até o local, onde Silval teria dito que não estava mais satisfeito com Zílio e o pagamento deveria ser feito a Pedro.
Mischur afirmou que tinha medo de Silval pelo fato dele ter sido garimpeiro.
















