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17 de Agosto de 2016, 15h:59 - A | A

JUDICIÁRIO / DEPOIMENTO À JUÍZA SELMA

Dono da Consignum admite ter pago propina mensal de R$ 500 mil a secretário de Silval

Segundo Willians Mischur, logo no início da gestão de Silval, o ex-secretário de Administração, César Zílio o procurou e fez a ‘proposta’ alegando que a empresa dele poderia ser declarada inidônea

RepórterMT/Reprodução

Willians Mischur, dono da empresa Consignum, prestou depoimento nesta quarta.

Willians Mischur, dono da empresa Consignum, prestou depoimento nesta quarta.

CELLY SILVA
MARCIA MATOS



Em sequência às oitivas da ação penal referente à 2ª e 3ª fase da “Operação Sodoma”, o empresário Willians Mischur, que chegou a ser preso durante as investigações e hoje depõe como vítima do esquema de cobrança de propinas a empresas que tinham contratos ou incentivos fiscais, junto ao governo do Estado, na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), afirmou que praticamente “trabalhava de graça”, afirmando que a extorsão lhe tirava a maior parte dos lucros e reclamou que, atualmente, vem sofrendo sérios prejuízos por ser tido como envolvido nas fraudes.

“Estou perdendo tudo o que eu tinha. Estão me desmoralizando!”, disse Willians a respeito da recente decisão do governo em romper o contrato com a empresa dele.

“Estou perdendo tudo o que eu tinha. Estão me desmoralizando!”, disse Willians a respeito da recente decisão do governo em romper o contrato com a empresa dele.

Revoltado, Mischur, que é dono da empresa Consignum, que até este mês era contratada pelo governo do Estado para disponibilizar aos servidores o serviço de empréstimo consignado, afirmou à juíza Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, que não teria lucrado nada com o esquema e apenas sofrido prejuízos que se estendem até hoje.

À magistrada, ele argumentou que nunca gerou nenhum prejuízo para o Estado porque a empresa dele não é remunerada pelo governo e sim pelos bancos.

“Praticamente eu trabalhei de graça porque a empresa não suportava mais aquela quantia”, afirmou.

Questionado pelo advogado Vitor Azevedo, que faz a defesa de Sílvio Côrrea, ex-chefe de Gabinete de Silval, sobre  a motivação de guardar R$ 1 milhão em casa, conforme revelou a Operação Sodoma em mandado de busca e apreensão, Mischur foi irônico ao responder: “primeiro porque eu posso, segundo porque eu estava negativado com o banco. Eu saí do Serasa tem 30 dias. E não foi R$ 1 milhão. Foi 1 milhão, 270 mil Euros”, frisou.

O empresário disse que o montante seria para pagar a festa de aniversário da filha dele e um curso nos Estados Unidos.

Sobre o esquema de propinas ele disse que aceitou a chantagem para não perder a liderança no mercado.

“Porque senão ia ficar muito feio para a gente perder o maior mercado dentro de casa. Eu não podia deixar a concorrência entrar”, argumentou, mas reclamou que o preço era tão alto que “engolia” os lucros da empresa.

"Primeiro porque eu posso, segundo porque eu estava negativado com o banco. Eu saí do Serasa tem 30 dias. E não foi R$ 1 milhão. Foi R$ 1 milhão, duzentos e sessenta mil e euros”, frisou o empresário sobre montante em sua casa.

“Praticamente eu trabalhei de graça porque a empresa não suportava mais aquela quantia”, afirmou.

À magistrada o empresário voltou a relatar como teriam iniciado as extorsões e como funcionava o esquema fraudulento, que teria sido criado para saldar as dívidas de campanha do ex-governador.

Segundo ele logo no início da gestão de Silval, o ex-secretário de Administração, César Zílio o procurou e fez a ‘proposta’ alegando que a empresa dele poderia ser declarada inidônea. A propina mensal exigida seria inicialmente de R$ 700 mil, mas Mischur alegou que o preço era alto e acabou aceitando pagar R$ 500 mil. O valor e era repassado diretamente a Zílio no gabinete dele, ou na sede da Consignum.

Outro ponto polêmico do depoimento do empresário é sobre a participação do ex-governador. Novamente Mischur afirmou que esteve tratando sobre a propina com Silval por duas vezes. A primeira teria sido no gabinete dele, onde foi levado pelo ex-secretário adjunto de Administração, Pedro Elias, ainda dois meses antes deste assumir a pasta. No local Silval teria lhe perguntado quanto estava pagando a Zílio e ele confirmou que seria R$ 500 mil. O empresário diz que teria perguntado se era para continuar pagando e Silval teria dito que sim.

O outro encontro com o ex-governador teria sido no apartamento do mesmo. Segundo ele novamente Pedro Elias o teria buscado em casa e levado até o local, onde Silval teria dito que não estava mais satisfeito com Zílio e o pagamento deveria ser feito a Pedro.  

Mischur afirmou que tinha medo de Silval pelo fato dele ter sido garimpeiro.

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