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Cuiabá, 25 de Junho de 2026
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05 de Julho de 2016, 19h:03 - A | A

JUDICIÁRIO / OPERAÇÃO VENTRÍLOQUO

Citado em depoimento de Riva, Romoaldo Júnior defende ex-deputado

“Eu acho que quando a pessoa está presa, faz qualquer coisa para sair. E ele falou: olha, eu vou pagar aquilo que eu mandei fazer os pagamentos. Eu acho que ele está correto”.

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



Após ser citado em duas audiências pelo ex-deputado José Riva no processo criminal oriundo da operação Ventríloquo, o deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB) falou pela primeira vez sobre o caso, na tarde desta terça-feira (05), quando foi à Sétima Vara Criminal da Capital para prestar esclarecimento como testemunha do ex-governador, em processo também relacionado à Assembleia Legislativa.

“Assumindo a Presidência, aumentou demais a minha demanda e também a estrutura. Eu ainda não fui chamado. Quando for chamado, vou tomar ciência do que foi pago. Sei que o posto em que eu abastecia e toda a estrutura da Presidência, que é a Rede Shop, está envolvida. O que eu posso falar é que não teve vantagem pessoal para mim, mas sim da estrutura da Casa”, afirmou o peemedebista.

Romoaldo Júnior foi acusado por Riva de ter recebido mais de R$ 1 milhão por meio de “laranjas” em um acordo feito entre o advogado Joaquim Miele, que representava o banco Bamerindus (atual HSBC) e parlamentares que compunham a Legislatura no ano de 2014. Na última audiência referente à operação Ventríloquo, ocorrida no dia 23 de junho, José Riva entregou uma lista de valores pagos por Miele a vários servidores e empresas prestadores de serviços a parlamentares.

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“Ela [Rede Shop] era fornecedora habitual da Assembleia. Não digo que aí houve desvios. [...] A dívida existia. Se o doutor Joaquim Miele resolveu, depois de pago, soltar dinheiro e pagar contas da Assembleia, houve algum acordo, mas não foi comigo”, se defendeu.

O deputado além de afirmar a sua inocência, também aproveitou para defender o ex-deputado José Riva, mesmo tendo partido dele a citação no processo. “Eu sou amigo pessoal do Riva há mais de 20 anos, eu acho que quando a pessoa está presa (e é difícil para alguém que fez tanto pelo Estado, trabalhou tanto, como o Riva, que já foi deputado três vezes) faz qualquer coisa para sair. E ele falou: olha, eu vou pagar aquilo que eu mandei fazer os pagamentos. Eu acho que ele está correto”.

Além de demonstrar compreensão pela atitude do amigo, Romoaldo Júnior também defendeu a atuação do ex-parlamentar enquanto esteve na Assembleia Legislativa. Segundo ele, antigamente os deputados dispunham de uma verba de apoio para realizar serviços de assistencialismo, que já não existe mais, e que foi muito difundido por Riva.

“Tudo isso que os deputados faziam no passado, estão sendo acusados hoje de desvio, de propina, de roubo. E não é! O próprio deputado Riva. Tem algum deputado que mais ajudou as pessoas do interior de Mato Grosso do que o Riva? Tem algum deputado que mais atendeu gente na Assembleia do que o deputado Riva? Não, não tem”, enfatizou.

Romoaldo Júnior defendeu que da mesma forma que Riva disse que usou o dinheiro para quitar dívidas de gabinete, os demais deputados também deveriam procurar a Justiça e explicar como utilizaram o dinheiro. “Se ele confessou eu tenho certeza que foi para pagar coisas que a Assembleia consumiu. Não acredito que o Riva pegou isso e colocou no bolso. [...] “Eu acho que cada deputado que teve fornecedores ou despesas de gabinete dessa questão do pagamento do HSBC, deve vir explicar. Eu, no momento certo, vou explicar cada centavo”, asseverou. 

Uso de "laranjas" por deputados

Sobre a afirmação de José Riva de que seria comum a prática de deputados usarem contas bancárias de servidores para resolver transações, Romoaldo Júnior confirmou a informação. “A Assembleia é uma Casa política. Bem ao contrário do que muitos afirmam, muitos deputados nem conta tem. A maioria dos deputados que eu conheço estão com nome do Serasa, estão no Cadin [Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados], não tem como ter acesso à crédito e é comum mesmo muitos deputados terem usado a conta de algum assessor, como muita gente usa do irmão, da família, esposa. Agora, muitas das despesas da Casa, da Assembleia não é desvio”, disse. 

 

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