MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO
Ao chegar à sede da Justiça Federal em Cuiabá, na tarde desta sexta-feira (10), para mais uma audiência da Ararath o ex-secretário de Estado Eder Moraes, principal réu do processo, tentou evitar a imprensa reafirmando apenas sobre sua inocência no esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro investigados pela Polícia Federal.
“Vou reafirmar sempre, sou inocente em toda essa história e a cada depoimento que vai se passando que vai chegando à Justiça Federal a verdade vai sendo reestabelecida então a cada audiência vai estando comprovada a minha inocência em todo esse processo”, declarou.
A audiência desta sexta-feira foi referente ao processo do ex-secretário adjunto do Tesouro, Vivaldo Lopes, que foi desmembrado do processo da Ararath. Na ocasião Eder e Vivaldo seriam são interrogados um na sequência do outro pelo juiz federal Jeferson Schnneider, mas ele ouviu apenas Vivaldo e remarcou o interrogatório de Eder para a próxima terça-feira (14) alegando ter urgência em tratar outro processo na Vara com réu preso.
O teor do depoimento de Vivaldo LOpes não foi divulgado porque o caso corre em segredo de Justiça.
Vivaldo não falou com a imprensa, mas advogado Ulisses Rabaneda fez questão de ressaltar que está confiante, pois a inocência de seu cliente já estaria provada, pelo memos na visão dele.
“Já está provado na verdade. O interrogatório nós entendemos ser uma autodefesa, é um momento imprescindível no processo. No entanto, entendo que seria absolutamente desnecessário até mesmo interroga-lo. É importante ele ter esse contato com o magistrado, a lei determina, mas reafirmo já está provado que ele é inocente”, frisou.
O processo de Vivaldo foi desmembrado do restante do processo da Ararath porque a defesa conseguiu na Justiça o direito de fazer uma perícia contábil que demandaria certo tempo, por isso as oitivas da Ararath terminaram no mês de agosto e Vivaldo está sendo ouvido somente agora.
Os acusados respondem ao juiz Jeferson Schnneider sobre as transações financeiras feitas entre eles e o agiota Gércio Marcelino Mendonça Júnior, hoje delator do processo.
Eder responde por ter comandado o esquema que teria lesado os cofres públicos em mais de R$ 500 milhões durante os governos Blairo Maggi (PR) e Silval Barbosa (PMDB). Vivaldo é acusado de crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de bens, direitos ou valores.
VIVALDO NA ARARATH
Vivaldo, que foi adjunto de Moraes na Secretaria de Fazenda, tem sua participação no esquema investigado de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro, apontada a partir de transferências bancárias para conta de sua empresa, feitas pelo agiota, Gércio Marcelino Mendonça Júnior, que seria o ‘testa de ferro’ de Eder no ‘sistema’ que usava várias movimentações financeiras para dificultar o rastreamento dos recursos.
As transferências feitas por Júnior Mendonça, hoje delator do processo, para a empresa Brisa Consultoria de janeiro a março de 2010 somam R$ 520 mil.
Em fevereiro de 2014, a Brisa Consultoria foi alvo de busca e apreensão da quarta fase da Operação Ararath, quando apreenderam documentos que interligavam transações entre a empresa, Vivaldo, Eder Moraes e o time de futebol, então presidido por Eder, o Mixto Esporte Clube.
O PROCESSO
Também são réus no processo da Ararath Laura Dias, que é esposa de Eder e também teve sua empresa envolvida e o superintendente regional do Bic Banco, Luiz Carlos Cuzziol, assim como Eder eles já foram ouvidos pelo juiz Jeferson Schneider. O processo investiga 21 pessoas.


















