ANA ADÉLIA JÁCOMO / KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO
Várzea Grande, que é a segunda cidade em população e economia de Mato Grosso, chega nesta sexta-feira (15) aos 148 anos em uma situação de abandono.
Faltam serviços básicos, o que pode ser comprovado por qualquer pessoa. Buracos no asfalto são muitos, não somente na periferia, mas em áreas consideradas nobres, próximas ao Aeroporto Marechal Rondon, por exemplo. À noite, a cidade está no escuro. A iluminação pública é precária. Isso contribui para o já elevado índice de criminalidade – homicídios, roubos e furtos, principalmente. Na saúde, são muitos os problemas, representados por um pronto-socorro que não dá conta da demanda.
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"O saneamento ocupa 97ª posição das piores do Brasil. Isto em uma cidade que não tem zona rural para tomar conta e gastar”.
Às vésperas do aniversário, o prefeito eleito no último processo eleitoral, Walace Guimarães (PMDB) foi cassado, pela Justiça, acusado de crimes como caixa dois em campanha eleitoral, irregularidades na prestação de contas e abuso de poder econômico. Tenta reverter a cassação na justiça.
Como segunda colocada no pleito, a prefeita Lucimar Campos (DEM) assumiu a cidade, dia 7 de maio, e um dos primeiros atos dela foi suspender as programações comemorativas, principalmente entrega de obras previstas, mantendo apenas a Missa em Ação de Graças, a ser realizada na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, às 7 horas, e o Desfile Cívico Militar, na Avenida Couto Magalhães, às 9 horas.
“Vamos na medida do possível entregar todas as obras em andamento, porém elas só serão inauguradas se estiverem dentro do padrão de qualidade, como é caso da primeira Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, que seria inaugurada nesta sexta-feira, mas está sem condições de funcionamento”, informou.
TERRA DE NINGUÉM
RepórterMT
Buracos em toda a malha viária, inclusive em bairros considerados centrais, próximos ao Aeroporto Marechal Rondon
Os analistas políticos veem a total falta de gestão pública nos últimos governos municipais.
Para o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Alfredo da Mota Menezes, doutor em história da América Latina, tudo isso mexeu com a autoestima do várzea-grandense, que “está muito para baixo”.
Medidas a curto e médio prazo não vão surtir o efeito esperado, somente a longo, avisa João Edisom
“Qualquer governante que entrar precisa recuperar a autoestima do várzea-grandense, que está bem afetada pelo alto grau da violência, falta de assistência à saúde, de educação, que está muito atrás dos outros municípios. O saneamento ocupa 97ª posição das piores do Brasil. Isto em uma cidade que não tem zona rural para tomar conta e gastar”, analisa o historiador.
Na opinião dele, VG não vai sair desta situação complexa com orçamento próprio, que está no limite. “O dinheiro que a cidade tem para investir é pouco ou quase zero. Para recuperar a malha viária e o esgoto precisa de suporte dos governos estadual e federal. No entanto, ambos estão em um momento de ajuste de suas contas. Até que ponto vão poder ajudar VG neste momento? De Brasília, não vem nada, eu duvido muito, a não ser de emenda parlamentar. Já o governador Pedro Taques sinalizou apoio, mas até que limite” – questiona o analista.
Segundo ele, a cidade tem que sair debaixo deste “bombardeio político” entre dois grupos políticos: os Campos e a oposição.
Mota Menezes entende que os Campos estavam fora do poder, mas “atazanando” quem estava atuando. O outro grupo que agora saiu, por ordem judicial, deve fazer o mesmo.
“A cidade precisa desesperadamente sair disso. Se a briga política continuar - e não tem vislumbre de que isso vai acontecer – "VG" não sai desse sufoco”, destaca o professor.
“Várzea Grande nunca teve uma gestão profissional".
Divulgação
“Se a briga política continuar, VG não sai desse sufoco”, adverte Alfredo da Mota Menezes
“Se a briga política continuar - e não tem vislumbre de que isso vai acontecer – "VG" não sai desse sufoco”.
O ponto positivo que ele vê em VG é o cultural. Para ele, quem salva a pátria várzea-grandense é a Passagem da Conceição, com sua comida, sua dança, sua música e sua gente.
Quanto ao resto da cidade, é uma precariedade geral. “Não tem estádio de futebol, não tem nem nunca teve cinema, não tem shopping, parece que agora vai ter, não tem rodoviária, não tem praças para diversão, quem procura por tudo isso vai para Cuiabá”, observa o analista. “Falo com isso maior carinho pelos cidadãos várzea-grandenses”, ressalta.
O cientista político João Edison, também professor da UFMT, já analisa que as melhorias em Várzea Grande não podem surgir em um toque de mágica. É preciso de planejamento.
“O último "boom" de desenvolvimento em VG se deu no final da década de 70, início dos anos 80, com o então prefeito Júlio Campos, depois disso o que vimos foi uma sequência de administrações desastrosas em mais de 30 anos, então é tempo”, observa o professor
Na visão dele, a forma histórica provinciana de fazer política, mantém velhas práticas, como os apadrinhados, que se beneficiam de empregos públicos, não pagam IPTU e têm privilégios.
“Várzea Grande nunca teve uma gestão profissional. Cuiabá, bem ou mal, tendo um pendurado aqui e outro ali, já faz um tempo, desde Dante (de Oliveira, que já foi prefeito da capital), que as gestões não são mais de apadrinhamento”, compara o analista João Edisom.
Para ele VG tem que deixar esse provincianismo urgentemente.
Ele adverte que medidas a curto e médio prazo não vão surtir o efeito desejado. “Só a longo prazo”.










































