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02 de Outubro de 2026

21 de Janeiro de 2025, 07h:00 - A | A

GERAL / MORADORES DE RUA

Justiça Federal manda Prefeitura criar grupo para atender venezuelanos em Cuiabá

A decisão, que atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), deverá ter a participação também da União e do Governo do Estado.

Isabela Mercuri/Defensoria Pública de Mato Grosso

Foram registradas as morte de quatro indígenas por doenças que poderiam ter sido evitadas.

Foram registradas as morte de quatro indígenas por doenças que poderiam ter sido evitadas.

DO REPÓRTERMT



A Justiça Federal determinou que seja criado um Grupo Especial de Atendimento e Monitoramento para garantir os direitos básicos do povo indígena Warao, originário da Venezuela, cujos membros vivem em situação de rua em Cuiabá.

A decisão, que atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), dá um prazo de 60 dias e deverá ter a participação da União, do Governo do Estado e da Prefeitura de Cuiabá. A ideia é assegurar que essa população tenha acesso a serviços essenciais, como saúde, educação, moradia e segurança.

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O Grupo Especial deverá ser composto por equipes multidisciplinares, com o objetivo de desenvolver políticas públicas que respeitem as necessidades e a cultura Warao.

Entre as ações previstas está a implantação de centros de informação nos abrigos existentes, em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Esses centros serão utilizados para campanhas de conscientização sobre direitos sociais, saúde e educação, apresentadas de forma acessível e respeitando a diversidade cultural dos indígenas.

A Justiça também determinou a elaboração de um cronograma, em até 90 dias, para garantir que os direitos dessa população sejam efetivamente atendidos. Caso as obrigações não sejam cumpridas, há previsão de multa diária de R$ 2 mil.

A ação civil pública foi ajuizada pelo MPF, que entendeu haver omissão e da ineficiência dos órgãos públicos na prestação de serviços adequados à comunidade Warao.

Há quatro anos, o MPF busca articulação com órgãos públicos municipais, estaduais e federais para garantir o atendimento aos indígenas, sem sucesso.

Os Warao vivem em condições precárias em Cuiabá devido à falta de políticas públicas adequadas e à dificuldade de acesso aos serviços básicos. Na área da educação, as crianças indígenas enfrentam dificuldades de matrícula e ausência de ensino intercultural. Atualmente, 45 crianças estão sem acesso ao ensino público.

A falta de moradias dignas também traz complicações que aumentam sua vulnerabilidade e problemas de saúde. Há casos de desnutrição, doenças de pele e falta de atendimento especializado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Essa negligência já resultou na morte de quatro indígenas por doenças evitáveis.

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