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Cuiabá, 31 de Agosto de 2025
31 de Agosto de 2025

02 de Novembro de 2021, 11h:30 - A | A

GERAL / CEMITÉRIO DA PIEDADE

João Caveira, Falcãozinho e Monsieur Trebaure: “Milagreiros” são os mais visitados

Cemitério Nossa Senhora da Piedade "guarda" personalidades ilustres de diversos segmentos da história, mas religiosos são os mais procurados

CAMILLA ZENI
DA REDAÇÃO



Fundado há mais de 200 anos e localizado, hoje, no centro de Cuiabá, o Cemitério Nossa Senhora da Piedade, mais antigo da capital mato-grossense, abriga diversas personalidades. Da alta classe do século 19 a políticos e religiosos, o espaço guarda a história de diversos segmentos da Capital.

De acordo com o coveiro Manoel dos Santos Soares, que há quase 40 anos atua na profissão, a sepultura mais antiga do espaço é a de Dona Bárbara Maria do Carmo de Cerqueira Brandão, conhecida como Baronesa de Diamantino (1846-1878). O túmulo é dos primeiros à esquerda, já próximo à capela, no final do corredor principal. Mas, segundo o sepultador, o mármore de Carrara quase não é visto por quem passa pelo local.

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Camilla Zeni/RepórterMT

Tumulo Baronesa de Diamantino

 Túmulo de Falcãozinho é o mais visitado no Cemitério da Piedade

“Está abandonado. As pessoas querem visitar mesmo são os milagreiros”, explica Manoel. Segundo ele, uma dessas sepulturas famosas é do Falcãozinho, como ficou conhecido o pequeno Francisco Augusto, que morreu vítima de câncer em 1971, quando tinha sete anos.

“O pessoal vem direto fazer novena. Esse é um que faz milagre. Ele sofreu muito com o câncer dele, né. As pessoas trazem pra ele caramelo, balinha, um doce, porque é criança”, comenta seo Manoel, mostrando a sepultura da criança, também localizada no lado esquerdo do cemitério, pouco depois do túmulo da baronesa.

A história de Falcãozinho foi contada pelo padre salesiano Firmo Duarte, que conheceu a família do menino, considerada católica fervorosa. A luta da criança com o câncer, que começou na perna e se espalhou para outros órgãos, chegando à cabeça, foi acompanhada pela população à época, que reconhecia a fé do menino.

Segundo Padre Firmo, com o avanço da doença, o menino pediu para receber o sacramento da Eucaristia mais cedo e conseguiu uma autorização especial do Bispo Dom Orlando Chaves. A hóstia teria sido o último alimento da criança.

Já do outro lado do campo santo, o jazigo do monsenhor Alexandre Trebaure, enterrado em 1939, é o mais visitado. Vigário da Igreja da Boa Morte, Trebaure, que nasceu na França, sempre chamou a atenção da comunidade local pela sua humildade e caridade. Por vezes, tirava do pouco que tinha para ajudar às famílias mais necessitadas. Assim, também chegou a passar necessidades.

“Esse também direto o pessoal vem visitar aqui e fazer um pedido. Pedem qualquer coisa. Qualquer coisa que você pedir, sendo com fé, recebe”, afirma o coveiro.

Na mesma sepultura estão ainda o Frei Donato (Norberto Sehn), gaúcho falecido em 2009, vítima de câncer, e o Frei Quirino Franz, um alemão nomeado vigário de Rosário Oeste por Dom Francisco Aquino Corrêa no fim de 1930. Alguns anos depois, em 1947, assumiu a Paróquia da Boa Morte em Cuiabá, sendo sucessor de Trebaure. Sua relação com os pobres também foi reconhecida, assim como com os soldados, rendendo-lhe o título de Almirante Tamandaré, concedido pela Marinha. Ele faleceu em 2003.

Ednilson Aguiar/O Livre

tumulo joão caveira

Cruz identifica o túmulo do líder espiritual umbandista João Caveira no Cemitério da Piedade

Alguns metros distantes, também recebe visitas o túmulo de João Caveira. Muito antigo, o lugar não aponta o nome ou qualquer outra informação sobre o líder umbandista, como a data do falecimento. O local é diferenciado pela cruz sobre a sepultura. Antigamente, segundo o coveiro, havia uma caveira no centro da cruz. No entanto, o objeto desapareceu do dia para a noite.

De acordo com seo Manoel, são deixadas diversas oferendas para João Caveira. O coveiro garante que ninguém mexe, dependendo do que se coloca no local.

“Direto eles põem frango vivo aí, amarrado o bico com nome dentro. Quando não é aqui, colocam no cruzeiro, lá na entrada. Vinho, uva, balinha, sempre tem. Deixam também pra pomba gira. Quando a gente tem que mexer, tem que pedir licença. Tudo você tem que pedir licença. Nossa obrigação é limpar, não pode deixar o congá”, comenta seo Manoel.

Além dos “milagreiros”, o Cemitério da Piedade guarda, ainda, personalidades históricas ilustres como o almirante Augusto João Manuel Leverger, conhecido como Barão de Melgaço, morto aos 72 anos, em 1880; os ex-governadores Dante Martins de Oliveira, morto em 2006, aos 54 anos, e José Garcia Neto, que morreu em 2009 aos 87 anos.

Estevão de Mendonça, Rubens de Mendonça, Isaac Póvoas, Júlio Muller, Aecim Tocantins, Liu Arruda e Jejé de Oyá são outras personalidades que também descansam no local.

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