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Cuiabá, 31 de Agosto de 2025
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02 de Novembro de 2021, 15h:00 - A | A

GERAL / “RESSIGNIFICAR O LUTO”

Psicóloga explica importância do Dia dos Finados a famílias vítimas da covid

Thaísa Mayara Gomes, da Selfiquê - soluções em psicologia, relatou o aumento de pacientes que tiveram várias perdas de parentes e os prejuízos causados pelo luto.

MÁRIO ANDREAZZA
DA REDAÇÃO



O Dia dos Finados, nesta terça-feira (2), é oportunidade de “nova despedida” para todas as pessoas que perderam familiares durante a pandemia da covid-19, de acordo com a psicóloga clínica Thaísa Mayara Gomes, da Selfiquê - soluções em psicologia. Isso porque, por conta do novo coronavírus, velórios e rituais de despedida, importantes para ajudar aqueles que ficam a superar a dor perda, acabaram sendo proibídios.

Sem os procedimentos fúnebres, é como se esse “ciclo” não fosse fechado e um “vazio” permanecesse. Ao , Thaísa comenta sobre como as pessoas foram obrigadas a “ressignificar o luto” durante a pandemia e como isso influencia num feriado com esse, onde são relembradas as perdas de familiares, amigos e pessoas próximas. Ela também ressalta os prejuízos que um luto mal vivido pode trazer às pessoas.

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Thaísa relata que desde 2020 foi crescendo o número de pacientes afetados psicologicamente pela pandemia, seja pelo isolamento, medo e processos de ansiedade, e até mesmo depressão desenvolvidos durante o período.

Chama atenção o fato recorrente de pacientes que chegaram a perder a família para a doença, casos em que o atendido perdeu pai, mãe e um irmão, ou irmã, avó, avô, até mesmo alguém muito próximo, que fazia parte do convívio diário.

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A psicóloga explica que fatos como esses desestruturam psicologicamente e emocionalmente quem perdeu alguém. Soma-se a isso o fato de a pessoa nem poder se despedir, sem a oportunidade de viver o luto com o velório, ou rituais de acordo com a religião de cada um, e a possibilidade de “concretizar” essas perdas.

“Durante a pandemia as pessoas foram a aprender a ressignificar essa vivência do luto. Estávamos acostumados com o velório tradicional de acordo com a nossa cultura, ou seja, a pessoa morre, tem aquele período de velar o corpo, os familiares recebem os amigos, tem os abraços, troca afetiva e um acolhimento de forma presencial. A pandemia fez com que a sociedade ressignificasse isso. Vítimas de covid não podem ter velório, então, como se despedir? Como ter essa troca de amigos e familiares? Como ter esse acolhimento?”, relata a psicóloga.

Ela responde a essas perguntas mostrando que o caminho utilizado pelas pessoas foi deixar homenagens nas redes sociais, ligações prestando as condolências, e chamadas de vídeo, nas quais amigos e parentes mais distantes tentaram se fazer presente, mesmo de longe, tentando suprir os préstimos, até então, presenciais.

Thaísa ressalta “os prejuízos” que um luto, principalmente mal vivido, pode trazer à família.

“Vivenciar a perda de um ente querido pode trazer inúmeros prejuízos a nossa saúde física e mental, normalmente sendo manifestados em crises de ansiedade, stress, choro recorrente, depressão, além de alterações no apetite, melancolia, crises de raiva, alterações no sono e desânimo em realizar tarefas do cotidiano antes vistas como prazerosas”, diz.

Segundo ela, com a pandemia mais controlada e a flexibilização das medidas restritivas, esse feriado será a chance de muitas pessoas reviverem esse luto já mais próximos das pessoas queridas. Receber o acolhimento e ter a troca de afetividade que no momento da perda não pode acontecer.

“Embora a única certeza que temos na vida seja a morte, parece que nunca estamos emocionalmente preparados para lidar com uma despedida. A dor e desesperança são sentidas de maneira insuportável. Falar e ouvir sobre o assunto faz entrarmos em contato com toda saudade que toma a nossa mente e o nosso coração", afirma.

"A verdade é que dizer adeus a uma pessoa amada dói muito. Viver e experienciar a dor e a angústia de nem poder se despedir “da forma que aprendemos desde pequenos” nos faz sofrer com o sentimento de impotência que não controlamos e não conseguimos prever, causando extrema tristeza, desconforto e abandono, mas que fomos obrigados a aprender a superar ressignificando o luto nesse período por um bem maios e a segurança de todos”, finaliza a psicóloga.

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