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26 de Março de 2024, 07h:00 - A | A

GERAL / MEIA PISTA

Estrada de Chapada está bloqueada há quatro meses para trânsito de veículos pesados; governo aguarda licença para iniciar obras

Sinfra analisa possibilidades para a rodovia, mas não há prazo para definição.

RepórterMT

Há quatro meses, em dezembro, Estrada de Chapada era bloqueada por risco de deslizamento.

Há quatro meses, em dezembro, Estrada de Chapada era bloqueada por risco de deslizamento.

APARECIDO CARMO
DO REPÓRTERMT



Há quatro meses a Estrada de Chapada, como é conhecida a rodovia estadual MT-251, enfrenta bloqueios por causa do risco de deslizamentos de pedaços da rocha que circunda especialmente o trecho conhecido como Portão do Inferno, em que um viaduto cruza o penhasco. O governo do estado protocolou uma proposta junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) de obras na encosta e aguarda a resposta do instituto para iniciar as obras.

Os bloqueios começaram oficialmente no dia 12 de dezembro, após uma série de deslizamentos que fizeram com que blocos do paredão caíssem sobre a pista. A justificativa apresentada é que a trepidação causada pelo tráfego constante de veículos de carga afeta a estrutura e aumentam os riscos de deslizamentos, colocando em risco a vida das pessoas que passam por ali.

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Os bloqueios coincidiram com o período de férias e festas de fim de ano, quando a cidade de Chapada dos Guimarães vive a alta temporada devido ao grande fluxo de turistas de toda a Baixada Cuiabana. Os bloqueios reduziram drasticamente a quantidade de pessoas que acessam a cidade e feriu o comércio e o turismo local. O mesmo se repetiu durante o Carnaval, em fevereiro deste ano.

Durante visita técnica realizada em janeiro no Portão do Inferno, o geólogo Darlan dos Santos, da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), e pontuou a existência de risco de queda do paredão que circunda a rodovia.

“Visualmente, o que a gente fala é que está em risco. Usando todos os dados que a gente teve, informações de outros estados que também fizeram os mesmos tipos de trabalho, a gente está numa situação de risco”, alertou à época.

O especialista defendeu a medida do Governo do Estado de bloquear o trecho da rodovia e liberar o tráfego apenas em meia pista. “É a melhor (solução). Melhor prevenir do que remediar”, disse.

No auge da crise, em dezembro, o governador Mauro Mendes (União) disse que enfrentaria o ICMBio e duplicaria a rodovia. “Temos que enfrentar a hipocrisia do ambientalismo no Brasil”, disse na ocasião.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi muito criticado pela postura de não assumir responsabilidade e criar obstáculos para a atuação da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).

Leia mais - Governo sugere "cortar" encostas do Portão do Inferno para evitar deslizamentos e liberar rodovia

Um relatório chegou a ser realizado apontando a existência de dez pontos críticos nas encostas às margens da estrada, sendo que quatro apresentavam maior risco para a integridade da rodovia.

Recentemente, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) protocolou junto ao ICMBio uma proposta para a realização de uma obra de retaludamento das encostas do Portão do Inferno. Trata-se de um processo de terraplanagem que vai permitir estabilizar as formações rochosas e evitar novos deslizamentos por meio de cortes ou aterros nas encostas originalmente existentes para obter a estabilização do mesmo.

"Eu acho que o maior desafio que nos guarda é o licenciamento ambiental. Ele, obrigatoriamente, passa pelo ICMBio e pelo Ibama, o Governo do Estado não tem autonomia para fazer esse processo”, disse o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (União), essa semana à imprensa.

O senador Wellington Fagunes (PL), defendeu que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) pode realizar essa obra sem a necessidade de um aval do ICMBio. Para isso, seria necessário que o Ministério do Meio Ambiente renovasse uma licença assegurando a autonomia do Governo do Estado para obras de melhoria no entorno do Parque Nacional.

"Como tinha uma licença delegada para a Sema, nós pedimos para agilizar essa renovação porque, com isso, então permitirá que a própria Sema possa fazer, já que não vai atingir, digamos, o parque, não vai atingir principalmente as áreas ali que são consideradas intocáveis como principalmente as áreas de pinturas rupestres e outras situações", afirmou em conversa com repórteres na última semana.

Até que se encontre uma solução final, a via continua liberada em meia pista para tráfego no esquema pare e siga para veículos leves. Em caso de chuva ou de novos deliszamentos, o tráfego é completamente bloqueado até nova avaliação dos especialista da Sinfra.

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