CAMILLA ZENI
DAFFINY DELGADO
O promotor de Justiça Samuel Frungilo, da 21ª Promotoria Criminal de Cuiabá, pediu a abertura de inquérito por falso testemunho contra a manicure Cristiane da Silva. Ela é uma das testemunhas de acusação do Ministério Público Estadual (MPE) sobre o assassinato do empresário Toni Flor, registrado em agosto de 2020.
O pedido foi feito de forma oral, durante audiência na tarde desta segunda-feira (21). A situação ocorreu quando Cristiane foi chamada para prestar o depoimento. Diante do fechamento do Judiciário em razão da pandemia, ela foi ouvida de forma virtual, de uma sala na penitenciária feminina Ana Maria do Couto, onde está presa por tráfico de drogas.
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Inicialmente, na fase de inquérito, Cristiane afirmou que estava com Igor Espinosa, autor dos disparos que mataram Toni Flor, quando ouviu que a viúva Ana Cláudia Flor teria encomendado o crime. Ela ainda contou a história para outras testemunhas, que, na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmaram terem ouvido sobre o crime por meio de Cristiane.
Entretanto, durante a primeira audiência do caso nesta segunda-feira, quando foi questionada pelo juiz sobre o que sabia do assassinato do empresário, a manicure afirmou não saber de nada. Ao ser confrontada sobre o depoimento colhido em seu nome, Cristiane afirmou: "Só confirmei o que o delegado me disse, porque eu estava com o salão cheio de cliente e precisava sair".
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O advogado Jorge Henrique Franco Godoy, que defende Ana Cláudia Flor, questionou se a testemunha de acusação teria sido coagida pelo delegado a assinar o depoimento. Cristiane respondeu que sim. Segundo ela, o delegado teria ameaçado processá-la caso não assinasse o documento. "Como a gente não sabe de nada, né, doutor, eu assinei", afirmou na audiência.
Ao RepórterMT, o promotor afirmou que não há dúvidas de que Cristiane mentiu em seu depoimento nesta segunda-feira.
"Pedimos ao juiz que determine a instauração do inquérito para apurar o crime de falso testemunho. O motivo pelo qual ela mentiu vai ser apurado no inquérito, mas nós acreditamos que pode ter sido por receio, por medo, pelo fato dela estar presa no mesmo estabelecimento que a Ana Cláudia, que é mandante de um crime de homicídio. Isso gera um temor na testemunha, obviamente", explicou.
Durante o depoimento, a declaração de Cristiane fez com que o advogado de Ana Cláudia pedisse um inquérito contra o delegado Marcel Oliveira, responsável pelas investigações sobre a morte do empresário na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Conforme o advogado, ele deverá ser investigado por abuso de autoridade.
Em relação ao pedido, o promotor ressaltou confiança no trabalho de Marcel. Ele ainda informou que o pleito da defesa ainda vai ser analisado pelo juízo.
"O advogado fez o pedido e juiz ainda não decidiu a respeito. Não sei se ele vai determinar a investigação. Se for determinado, o Ministério Público acompanhará como qualquer investigação, mas temos convicção da seriedade do trabalho policial. Não há qualquer motivo para duvidar do trabalho da polícia, que foi muito bem feito nesse caso, e não temos dúvida de que a Cristiane mentiu no depoimento hoje", acrescentou.
A audiência acabou interrompida devido a uma queda de energia na penitenciária. As oitivas retomam nessa terça-feira (22).
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