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05 de Dezembro de 2022, 17h:09 - A | A

GERAL / INVADIU CASA NO FLORAIS

Advogado pede exame toxicológico e suspensão do porte de arma de delegado

Pedidos constam em documento que pede o afastamento de Bruno França do cargo

THAIZA ASSUNÇÃO
DO REPÓRTER MT



O advogado Rodrigo Pouso, que faz a defesa da família que teve a casa invadida pelo delegado de Polícia Civil, Bruno França, pediu que ele passe por um exame toxicológico com amostras de cabelo.

O exame toxicológico tem como objetivo verificar se a pessoa consumiu ou esteve exposta a algum tipo de substância tóxica ou droga nos últimos 90 dias. 

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Pouso ainda requereu o recolhimento do porte de arma de França, “pois pela conduta apresentada, mostra total desequilíbrio para portar armamento de fogo”.

Os pedidos foram feitos à Corregedoria-Geral de Polícia Civil, na última quinta-feira (1), na qual ele solicitou o imediato afastamento do delegado das suas funções.

O advogado apontou no documento que o delegado “agiu de forma proibida, ilegal, com total abuso de autoridade, brutalidade, descontrole, despreparo profissional, e com agressividade extrema, cometendo os possíveis crimes, na seara penal, de abuso de autoridade, invasão de domicílio, exercício arbitrário das próprias razões, injúria, tortura psicológica, cárcere privado e associação criminosa, e com o rol de provas robustas e concretas nos autos, é motivo de justa penalidade de demissão”.

No dia 1º,  a Corregedoria determinou o afastamento remunerado do policial por 60 dias, enquanto a sindicância é realizada. De acordo com o documento, o prazo pode ser prorrogado por igual período, ou seja, por mais 60 dias, a depender do curso das investigações.

França arrombou a porta da casa da família, no condomínio Florais do Lagos, na última segunda-feira (28), e entrou no local fazendo uma série de xingamentos e ameaças à empresária F.C.G.N.

Ele alegou que ela teria descumprido uma medida protetiva que a impedia de se aproximar do enteado dele, de 13 anos. A defesa diz que a mulher não tinha conhecimento de tal medida.

O caso

Tudo teve início em função de um suposto desentendimento entre o enteado do delegado e o filho da mulher, quando a família ainda morava no Alphaville I. A fim de evitar mais problemas, a mulher teria se mudado para o Florais dos Lagos.

Porém, na segunda (28), o adolescente teria ido até o atual condomínio da mulher para jogar bola com amigos e eles acabaram se encontrando. O menino então teria ligado para o padrasto, que foi até a casa da mulher para prendê-la.

Toda a situação foi registrada por câmeras de segurança instaladas na sala da casa da vítima. O delegado estava armado e acompanhado por outras três policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE), que também portavam armas.

Na gravação, de pouco mais de três minutos, é possível ver ele chutando a porta para invadir a residência e, em seguida, mandando a mulher deitar no chão sob xingamentos e ameaças.

No vídeo, ainda é possível ouvir o choro e desespero de uma criança de 4 anos, filha da mulher, que estava no local no momento do episódio. Também é possível ouvir o marido da vítima pedindo calma ao delegado.

“A senhora sabe que tem uma medida protetiva para não chegar perto do [cita o nome de um menor]. Vamos sentar aqui e vamos esclarecer isso”, diz o delegado, que começa a caminhar pela sala com arma em punho.

Logo depois, ele volta e fala para o marido da mulher que vai “explodir a cabeça dela”. “Você sabe e a próxima vez que ela chegar perto do meu filho, vou estourar a cabeça dela. Vou explodir a cabeça dessa f* da p*”, diz.

Em nota à imprensa,  França admitiu "excesso" na verbalização, mas disse não se arrepender da abordagem, acusando a empresária  de “perseguição” contra o enteado dele.

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