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06 de Agosto de 2016, 20h:41 - A | A

GERAL / DÍVIDA DOS ESTADOS

'Acordo proposto pela União é inconstitucional; um tiro no pé', diz procuradora

Presidente da Associação dos Procuradores do Estado de MT, Gláucia Amaral, diz que o plano do governo federal fere a autonomia dos estados

RepórterMT

Procuradora Gláucia Amaral preside a Apromat

Procuradora Gláucia Amaral preside a Apromat

ANDRÉ MICHELLS
DA REDAÇÃO



A presidente da Associação dos Procuradores de Mato Grosso (Apromat), Glaucia Amaral, em visita ao , afirmou que o governador Pedro Taques (PSDB) vai dar um "tiro no pé de Mato Grosso" caso aceite as condições impostas pelo acordo de refinanciamento da dívida dos estados com a União, proposto pelo governo federal. 

A procuradora afirma que o acordo é inconstitucional prejudicial  aos estados que aceitarem as normas impostas. "O texto, como está, pode tornar MT um estado descumpridor da Lei de Responsabilidade Fiscal, já que impõe a redução do percentual de 49% (de gastos com pessoal), para 44%".  Mato Grosso, hoje, já está no limite de 49%. "Caso assine o acordo, passa estourar a LRF e o governo responderá por ato de improbidade", avisa. 

O plano é péssimo; ele mantém os juros compostos. A União dá uma carência maior, que é de seis meses, estabelece alguns anos de parcelas diminuídas, mas essas parcelas vão todas para o final da dívida


Além da armadilha da LRF, segundo ela, os estados podem entrar numa ciranda financeira, já que os juros cobrados são na forma parecida com o antigo Sistema Financeiro de Habitação, ou seja juros sobre juros e, aí, aí, a dívida fica impagável. 

"O plano é péssimo; ele  mantém os juros compostos. A União dá uma carência maior, que é de seis meses, estabelece alguns anos de parcelas diminuídas, mas essas parcelas vão todas para o final da dívida, corrigidas pela tabela 'price', similar à do SFH", diz a procuradora.

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Segundo Gláucia, o acordo pode dar um fólego agora, para o estado, mas "lá na frente a dívida vai se tornar gigantesca; na tabela price você não quita o principal, você só paga juros", lembra. 

Outro ponto, segundo a procuradora, é que o plano modifica o conceito da Lei de Responsabilidade Fiscal, sobre despesa com pessoal, incluindo despesa de serviço terceirizado.

"Isso foi a primeira coisa que a Associação Nacional de Procuradores avisou; se o Estado  passar a contabilizar isso, vai ter que acabar pagando milhões em indenizações trabalhistas", diz. 

Gláucia lembra que, no período em que o Estado estiver ferindo o índice da LRF, caso ela baixe para 44%, a previsão é que MT levaria 10 anos para se adequar.

"O Estado terá que demitir e não poderá fazer concursos e o que MT fará sem poder ter concursos e as ações judiciais aumentando a cada dia; não podendo prover os cargos em todos os setores?", questiona. 

RpMT

Glaucia

 Procuradora questiona acordo sobre dívida dos estados

A procuradora afirma que, caso aceite o acordo, o governo perde a capacidade de governar. "Para promover um sargento para tenente, por exemplo, o governo terá  que pedir o aval da União; por isso digo que o acordo é inconstitucional, porque fere a autonomia dos estados", lembra.

Segundo ela, de acordo com o texto, mesmo os estados que não aceitem e não façam o acordo, vão ter que obedecer as mesmas regras dos que aceitarem. "Ficaria só com o ônus e não veria o bônus", adverte. 

Cálculos da Secretaria Adjunta do Tesouro apontam que a dívida é de cerca de R$ 3 bilhões, sendo parte dela com a União e outra contraída com o BNDES, direta ou indiretamente (por meio do Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal). Segundo a Sefaz, o prolongamento da dívida pode dar um alívio de R$ 150 milhões por ano.  "Até mesmo fontes da Sefaz já disseram que esse acordo é desnecessário", diz Gláucia. 

Gláucia Amaral pede que governo de MT force a retirada dos termos propostos no texto incial, como redefinição de conceitos da LRF e mantenha somente a renegociação da dívida. "Do jeito que está, mesmo que fique fora do acordo, o estado entra no novo texto da LRF e se complica", avisa. 

A melhor proposta, segundo ela,  é que o limite de gastos cresça de acordo com o índice do IPCA. "O ministro Henrique Meireles (Fazenda) já sinalizou neste sentido, mas não apresentou texto algum ainda; estamos trabalhando em um texto e vamos apresentar ao Congresso na próxima terça ou quarta, mas judicialmente não há o que fazer, depende só da bancada não deixar passar assim como está; se passar vai haver muitas ações de inconstitucionalidade, penso eu". 

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Cuiabano 08/08/2016

O sr governador sabe bem que vai afundar mais o estado de MT...mas pq é incompetente e está cercado de incompetentes...o que ele quer é bajular a corja do Temer e assim tentar alçar vôos mais altos...

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1 comentários