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16 de Outubro de 2026

16 de Outubro de 2026, 17h:28 - A | A

CIDADES / COBRANÇA DE R$ 18,6 MILHÕES

Presidente do Santos chama Dresch de "desqualificado" e Dourado rebate: "Adjetivos não quitam dívidas"

Clube mato-grossense afirma ter R$ 18,6 milhões a receber do Santos pela negociação do zagueiro Joaquim Henrique e cobra uma data para pagamento.

Reprodução/Montagem RepórterMT

Marcelo Teixeira criticou o presidente do Cuiabá após cobranças públicas por dívidas.

Marcelo Teixeira criticou o presidente do Cuiabá após cobranças públicas por dívidas.

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



O presidente do Santos Futebol Clube, Marcelo Teixeira, chamou o presidente do Cuiabá Esporte Clube, Cristiano Dresch, de “desqualificado” e “irresponsável” após o dirigente do Dourado cobrar publicamente o pagamento de dívidas de clubes brasileiros. O Cuiabá reagiu às declarações hoje (16), criticou a postura do santista e afirmou que poderá adotar medidas jurídicas.

“É um desqualificado, um presidente irresponsável, que dá um depoimento como esse, como um clube coirmão. Por isso que talvez estejam onde estão, com todo o respeito à tradição de um clube como esse”, declarou Teixeira.

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Entenda

A discussão começou depois que Dresch cobrou maior rigor da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) na cobrança de aproximadamente R$ 45 milhões que o Cuiabá afirma ter a receber de clubes como Santos, Corinthians e Grêmio.

Em nota, o Dourado rebateu as críticas e destacou que o Santos foi condenado pela CNRD a pagar R$ 18.616.377,46 ao clube mato-grossense pela negociação do zagueiro Joaquim Henrique.

“Há uma inversão de valores quando quem deve se sente à vontade para adjetivar quem cobra. Cobrar publicamente um crédito reconhecido pela CNRD não é desrespeito entre clubes coirmãos. Entre clubes coirmãos, a primeira forma de respeito é pagar o que se deve”, afirmou o Cuiabá.

O clube também respondeu à provocação de Teixeira sobre sua situação esportiva. Atualmente na Série B do Campeonato Brasileiro, o Cuiabá lembrou que o próprio Santos disputou a segunda divisão em 2024, primeiro ano da atual gestão do dirigente.

“Quanto à Série B: a divisão em que um clube joga não mede a honra de quem o dirige. O próprio Santos disputou a Série B em 2024, primeiro ano da atual gestão”, diz trecho da nota.

O Cuiabá ainda citou problemas financeiros do Santos, afirmando que o clube paulista chegou recentemente a acumular sete transfer bans ativos na FIFA, incluindo punições relacionadas a dívidas com clubes formadores de atletas e integrantes de uma antiga comissão técnica.

A troca de acusações ocorre na mesma semana em que o Cuiabá quitou uma dívida de aproximadamente R$ 5,5 milhões com o técnico português Petit e sua comissão técnica. Segundo o clube, o pagamento foi realizado com recursos próprios e encerrou uma punição da FIFA que impedia o registro de novos jogadores.

Na manifestação, o Dourado também informou que as declarações de Marcelo Teixeira serão analisadas pelo departamento jurídico.

“O Cuiabá não responderá a adjetivos com adjetivos. As declarações dirigidas ao presidente do clube serão avaliadas por seus advogados. Adjetivos não quitam dívidas”, afirmou.

Ao encerrar a nota, o clube cobrou uma posição do Santos sobre o débito e devolveu a provocação feita por Teixeira.

“O clube seguirá cobrando, nos foros competentes, cada real que lhe é devido, e espera do Santos não uma opinião sobre a gestão do Cuiabá, mas a data do pagamento. Com todo o respeito à tradição de um clube como esse”, concluiu.

Nota completa

"O Cuiabá Esporte Clube SAF tomou conhecimento das declarações do presidente do Santos Futebol Clube, Marcelo Teixeira, que chamou o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, de "desqualificado" e "irresponsável". Teixeira também sugeriu que talvez seja por isso que o Cuiabá está onde está, "com todo o respeito à tradição de um clube como esse".

Nesta semana, o Cuiabá quitou integralmente a condenação imposta pela FIFA no caso Petit, de cerca de R$ 5,5 milhões, com recursos próprios e o esforço de seus acionistas. Hoje, recebeu adjetivos ofensivos do presidente de um clube condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá, pela negociação do zagueiro Joaquim.

Há uma inversão de valores quando quem deve se sente à vontade para adjetivar quem cobra. Cobrar publicamente um crédito reconhecido pela CNRD não é desrespeito entre clubes co-irmãos. Entre clubes co-irmãos, a primeira forma de respeito é pagar o que se deve.

Quanto à Série B: a divisão em que um clube joga não mede a honra de quem o dirige. O próprio Santos disputou a Série B em 2024, primeiro ano da atual gestão. Fundado em 2001, o Cuiabá ainda está construindo a sua tradição. Chegou à elite em 2021, disputou quatro edições seguidas da Série A e ergueu, com recursos próprios, uma das estruturas de treinamento mais modernas do país. Voltará pelo caminho do campo, honrando seus compromissos, mesmo quando isso custa caro, como custou ontem.

A gestão do Santos, por sua vez, tem sido notícia por outros números. Recentemente, o clube chegou a 7 transfer bans ativos na FIFA. Três deles envolvem o mecanismo de solidariedade, isto é, valores devidos a clubes que formaram atletas. Há ainda uma sanção por dívidas com o ex-treinador do Santos e sua comissão técnica, obrigação da mesma natureza da que o Cuiabá acaba de quitar. Seguir contratando para a Série A enquanto os credores esperam não é mérito esportivo: é custo transferido para quem cumpre contratos.

O Cuiabá não responderá a adjetivos com adjetivos. As declarações dirigidas ao presidente do clube serão avaliadas por seus advogados. Adjetivos não quitam dívidas. O clube seguirá cobrando, nos foros competentes, cada real que lhe é devido, e espera do Santos não uma opinião sobre a gestão do Cuiabá, mas a data do pagamento.

Com todo o respeito à tradição de um clube como esse.

Cuiabá Esporte Clube SAF"

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