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19 de Outubro de 2026, 18h:18 - A | A

CIDADES / INQUÉRITO CIVIL

MP investiga denúncia sobre oração antes das aulas em Cuiabá; Prefeitura nega participação obrigatória dos alunos

Secretaria confirmou oração no acolhimento dos estudantes, mas negou participação obrigatória; vistoria também não constatou imposição na unidade.

Erlan Aquino/Prefeitura de Cuiabá

Escola Professora Esmeralda de Campos Fontes foi alvo de denúncia sobre oração antes das aulas.

Escola Professora Esmeralda de Campos Fontes foi alvo de denúncia sobre oração antes das aulas.

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) abriu um inquérito civil para investigar possível violação à liberdade de crença e à diversidade religiosa nas escolas municipais de Cuiabá. O procedimento teve início após uma reclamação de que alunos da Escola Municipal de Educação Básica Professora Esmeralda de Campos Fontes seriam obrigados a rezar o Pai-Nosso antes das aulas.

Na portaria, o promotor Miguel Slhessarenko Junior determinou a expedição de uma recomendação para que a Secretaria Municipal de Educação oriente os profissionais da rede a não instituir ou conduzir orações, cultos e outras práticas religiosas como atividade oficial diária, habitual ou obrigatória destinada ao conjunto dos estudantes.

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A denúncia, registrada na Ouvidoria do Ministério Público, relatava que todas as crianças presentes na escola precisavam permanecer enfileiradas na quadra poliesportiva para participar da oração.

Em resposta, a Secretaria Municipal de Educação confirmou a realização do Pai-Nosso durante o acolhimento dos estudantes, mas negou que a participação fosse obrigatória. Segundo a pasta, os alunos que não quisessem participar eram encaminhados ao refeitório, onde permaneciam até o término da oração.

Uma vistoria realizada pelo Ministério Público em outubro confirmou a prática religiosa na unidade. Durante a diligência, as crianças que não desejavam participar foram orientadas a permanecer em silêncio. A equipe também observou que algumas ficaram sentadas no refeitório, localizado em frente à quadra, sem informar o motivo.

O promotor ressaltou que a fiscalização não constatou obrigatoriedade de participação na escola visitada. Entretanto, avaliou que ainda faltam informações para verificar se práticas semelhantes ocorrem em outras unidades da rede e se há imposição aos estudantes.

Conforme a portaria, o Pai-Nosso está vinculado à tradição cristã e não representa todas as convicções religiosas ou a ausência de crença existentes na comunidade escolar. O documento destaca que o poder público deve respeitar essa diversidade e não favorecer determinada religião.

A recomendação também deverá orientar a secretaria a garantir que nenhum aluno seja obrigado a participar de manifestações religiosas ou a declarar sua crença para ser dispensado. O Ministério Público pede ainda que a opção de não participar não resulte em segregação, exposição, constrangimento ou encaminhamento compulsório a outro espaço.

A pasta deverá informar quais escolas adotam orações, leituras religiosas, cultos ou outras práticas semelhantes. Para cada unidade, foram solicitados detalhes sobre frequência, responsáveis pela condução, participação de servidores e tratamento dado aos estudantes que optam por não acompanhar a atividade.

O promotor também pediu cópias de eventuais orientações e normas da secretaria sobre o assunto e determinou que, na sequência, seja marcada uma audiência extrajudicial. O procedimento está em fase de investigação e não representa uma conclusão de que houve violação de direitos.

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