VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT
A elefanta asiática Baby, que vive há cerca de 30 anos no parque Beto Carrero World, em Santa Catarina, deverá ser transferida para o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães. A decisão é da 2ª Vara da Comarca de Penha, no estado catarinense, e estabelece prazo de até 60 dias para a mudança.
A disputa judicial teve início após o anúncio do fechamento do zoológico do parque. Na época, Baby seria levada para uma instituição em São Paulo, mas a transferência foi suspensa após ação movida pela ONG Princípio Animal. Desde então, a elefanta permaneceu sob os cuidados da equipe do Beto Carrero.
Na ação, a ONG e o Santuário de Elefantes defenderam que a estrutura instalada em Mato Grosso oferece melhores condições de bem-estar, com área mais ampla, maior liberdade de movimentação e possibilidade de convivência com outros elefantes.
Já o parque argumentou que Baby possui uma rotina consolidada, acompanhamento especializado e que uma mudança poderia gerar dificuldades de adaptação.
Ao decidir o caso, a Justiça destacou que a análise deveria priorizar critérios técnicos relacionados ao bem-estar animal. Embora tenha reconhecido que o zoológico catarinense é regular e possui estrutura adequada, concluiu que o santuário mato-grossense apresenta condições mais favoráveis para atender às necessidades naturais da elefanta.
A sentença também estabelece que o processo de transferência será acompanhado por veterinários e especialistas, com a realização de exames prévios e monitoramento periódico da adaptação do animal após a chegada ao novo lar.
Até a conclusão da mudança, os cuidados com Baby serão compartilhados entre o parque e o santuário. O Beto Carrero World também deverá contribuir financeiramente com os custos iniciais da adaptação da elefanta em Mato Grosso.
Em nota, a ONG Princípio Animal afirmou que a decisão representa um avanço para o Direito Animal ao reconhecer os animais como seres sencientes e considerar os interesses da própria elefanta na definição de seu destino. Segundo a entidade, a sentença rompe com a visão de que os animais devem ser mantidos apenas para exibição e entretenimento.
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