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Cuiabá, 22 de Julho de 2024
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11 de Outubro de 2017, 09h:06 - A | A

VARIEDADES / PESQUISA

Regiões Centro-Oeste e Norte são as mais machistas do país

Levantamento indica que 67% dos moradores dessas regiões já reproduziram frases machistas. Sete em cada 10 brasileiros assumiram autoria de falas preconceituosas; Ibope ouviu 2 mil pessoas.

G1/DF



Presente em todos os cantos do país, o machismo é ainda mais forte nas regiões Centro-Oeste e Norte do país, aponta pesquisa do Ibope feita no mês passado. O levantamento ouviu 2.002 pessoas, e verificou que 67% dos moradores dessas áreas reconhecem que já reproduziram frases machistas.

Os dados foram coletados a pedido da cerveja Skol. O estudo revelou que 7 em cada 10 brasileiros assumiram ter falado, alguma vez na vida, comentários preconceituosos – embora 83% deles tenham se declarado não preconceituosos.

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No último domingo, o Fantástico divulgou os dados nacionais da pesquisa que se baseou em analisar quatro tipos de preconceito mascarados: machismo, LGBTfobia, estético (gordofobia) e racial.

Segundo o levantamento, o machismo está presente no cotidiano de 99% dos brasileiros ouvidos. Dos entrevistados, 61% já pronunciaram algum comentário machista, mesmo que alguns não reconheçam o preconceito. A LGBTfobia foi citada como o principal preconceito entre os brasileiros que se declararam preconceituosos, com índice de 29%.

Região Centro-Oeste e Norte

Os organizadores da pesquisa questionaram os moradores do Centro-Oeste e do Norte se eles já ouviram ou falaram determinadas frases, como "mulher tem que se dar ao respeito", "pode ser gay, mas não precisa beijar em público", "não sou preconceituoso, até tenho um amigo negro", "ele (a) é bonito, mas é gordinho(a)".

De acordo com o estudo, os comentários mais reproduzidos nessas regiões foram:

  • "Mulher tem que se dar ao respeito" (53%)
  • "Mulher ao volante, perigo constante" (30%)
  • "Ele(a) é bonito(a), mas é gordinho(a)" (29%)
  • "Isso é coisa de 'viado'. É 'viadagem'" (26%)
  • "Não sou preconceituoso, até tenho um amigo negro" (24%)

Para a professora de jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora na área de estudos feministas e de gênero, Liliane Machado, a região Centro-Oeste ainda vive à sombra da cultura patriarcal.

“A gente tem essa origem da família mononuclear e agrária. As relações patriarcais e agrárias de uma sociedade coronelística – conceito da ciência política em que o senhor da terra mantém o domínio sobre a família e os agregados – ainda são muito fortes aqui e em todo o país”, disse Liliane.

A pesquisadora diz, no entanto, que muitas pessoas têm receio em assumir que reproduzem discursos machistas.

"Ainda percebo mulheres sofrendo violência psicológica e física em todo o país. No DF, a gente ainda tem dados alarmantes de agressões e estupros contra as mulheres.”

"Ainda percebo mulheres sofrendo violência psicológica e física em todo o país. No DF, a gente ainda tem dados alarmantes de agressões e estupros contra as mulheres.”

O gerente de marketing da Skol, Kim Moraes, afirmou ao G1 que o levantamento foi encomendadao com o objetivo de propor uma reflexão sobre as atitudes e comentários que podem gerar afastamento entre as pessoas.

“A Skol abraçou o tema da diversidade e começou a estudá-lo com mais profundidade. Olhamos para as campanhas antigas e, hoje, dizemos que elas não nos representam mais. Queremos levantar o debate. Só assim conseguiremos derrubar os muros levantados pelo preconceito”, disse Kim Moraes.

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