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Cuiabá, 22 de Maio de 2024
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09 de Agosto de 2010, 11h:06 - A | A

VARIEDADES /

Jovens estão na mira do comércio varejista

A Gazeta



O mercado direcionado para jovens é crescente em Mato Grosso. Esse tipo de consumidor está cada vez mais seletivo e exigente quanto às novidades em produtos e serviços. O fato é que a inclusão de pessoas com menos de 24 anos como potencial clientela vem sendo cada vez mais comum no comércio em geral. Para isso, muitos lojistas apostaram nos estilos e gostos dos adolescentes. "Os jovens vêm, muitas vezes, sozinhos às compras, ou seja, sem o auxílio do pai ou da mãe", conta o gerente da Beto Sports, Juliano Onofre. Segundo ele, essa autonomia é garantida pelo uso do cartão de crédito.

Esse cenário é perceptivo entre as agências bancárias. Para o público jovem, o Banco do Brasil, por exemplo, criou a BB Conta Universitária, que oferece uma conta corrente e limite de crédito de R$ 500. O Bradesco também oferece uma conta especial para os universitários em que não é preciso comprovar renda. Mas o banco que mais se destaca nesse ramo, atualmente, é o Real, que oferece 3 cartões diferentes para os universitários. Para a vendedora Jaqueline Silva, 22, a facilidade do cartão deu autonomia para entrar no endividamento. Ela conta que a independência financeira, longe do auxilio dos pais, trouxe problemas na conta bancária que antes, com mesada, nem sonhava em ter.

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A vendedora da It Beach, Joseane Reis, complementa que entre os jovens, são aqueles com idades entre 20 a 22, os mais assíduos nas compras. "Os mais novos, vêm acompanhados dos pais, mas já sabem muito bem o que querem comprar". Um estudo realizado com garotas e rapazes de 9 países mostra que no Brasil 7 em cada 10 jovens afirmam gostar de fazer compras. O resultado da pesquisa, como base um trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), é chamado Is the Future Yours? (O Futuro É Seu?). A estudante Barbara Dorileo, 17, confirma esse cenário. Para ela, o dinheiro regrado fornecido pelos pais mensalmente, não atrapalha a sua escolha na hora das compras.

Outra pesquisa, feita pelo Instituto Ipsos-Marplan, constatou que 37% dos jovens fazem compras em shoppings, contra 33% dos adultos. "O mercado vem recebendo bem esse consumidores exigentes", diz o gerente de Levi"s, Aliandro José. Para ele, o consumidor em potencial está na faixa dos 23 ou 24 anos. "Muitas vezes sabem o que querem. São focados no ideal e têm consciência da moda. Se não tem o produto desejado, não levam outra mercadoria em troca".

O poder dos adolescentes sobre o mercado vai mais longe ainda. Por outro lado, os desejos de consumo dos adolescentes estão levando famílias brasileiras ao endividamento. É o que aponta o estudo da Kantar Worldpanel, maior empresa de pesquisas de consumo domiciliar da América Latina. Os dados revelam que nos lares com jovens entre 12 e 19 anos, os gastos estão, em média, 5% acima dos ganhos por mês. Famílias sem jovens na composição conseguem poupar justamente 5% da receita mensal.

O endividamento vem de gastos que buscam atender aos desejos adolescentes, como vestuário (43% maior que em lares sem jovens), telefone, uso intensivo de internet e outros meios de comunicação, item que apresenta despesas 9% mais altas que os demais domicílios do país com os mesmo serviços. Além disso, alimentação e entretenimento fora do lar resultam em gastos 10% superiores nestes itens, em comparação às famílias sem pessoas desta faixa etária. Camila Geovana, 12, já sabe bem o que quer. Para escolher o produto, o faz individualidade. Já na hora de pagar pede ajuda da mãe. A avó Vera Lúcia, diz que a liberdade financeira e de gostos deve ter limite. "A moçada ainda não tem cabeça no lugar para usar cartões e ter dinheiro de fácil acesso".

Segundo pesquisa feita pelo IBGE, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, o número de jovens endividados dobrou em um ano e atualmente, 2,4 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 24 anos estão com suas contas no vermelho. A maior vilão entre os jovens neste consumo desequilibrado é a compra parcelada no cartão de crédito, em que especialistas alertam para o perigo do endividamento.

O ciclo de endividamento se inicia quando o jovem recebe oferta de crédito, decide utilizar o serviço, mas acaba contraindo dívidas superiores a seu orçamento mensal, devido à falta de planejamento financeiro. A expansão na oferta de cartões aliada ao constante endividamento dos jovens fez com que empresas especializadas na recuperação de crédito desenvolvessem técnicas de cobrança específicas para o público mais jovem, como é o caso da Cercred, uma das maiores no ramo.

O diretor geral da empresa, Leonardo Coimbra, explica que abordagem para fazer a recuperação de crédito é através de métodos usuais, como o telefone, o SMS, carta, boleto e até cobradores externos. "Os que tem mais efetividade são o telefone, o SMS (todos os jovens possuem celulares), cobrança externa e como inovação eventos como café da manhã de renegociação de débitos, feitos fora do ambiente de banco e assessoria de cobrança".

Ele destaca que o crescente endividamento de jovens é um movimento natural, face à oferta de emprego e iniciação cada vez mais cedo do jovem no mercado de trabalho. "Com isso, há aumento do poder aquisitivo e abundância de crédito do mercado", diz, destacando que é esse o perfil do jovem inadimplente. Na opinião de Coimbra, o que mais leva o consumidor jovem a cair na inadimplência, na maioria das vezes, é a iniciação nos financiamentos.

Empresas - Para focar no público jovem, o administrador de empresas com especialização em Harvard, Carlos Alberto Júlio, aconselha o empreendedor a estudar o mercado. Para ele, o que vale é a estratégia utilizada pelo empresário. "Sem estratégia, não há objetivo". Ele ressalta que seja o produto qualquer a ser lançado, o empresário deve conhecer o seus compradores. Júlio ministrou a palestra A Arte da Estratégia, durante o sexto "Fórum IEL Gestão Empresarial.

Dica - Independentemente da idade, a inadimplência tira o sono de muitos consumidores. Por isso, o Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), aponta que o primeiro conselho para quem já está devendo é consumir de forma consciente e a segunda é quitar a dívida. Para liquidar o débito, o consumidor pode procurar os institutos de defesa e a promotoria do consumidor, órgãos que auxiliam nas análises de contratos e na solução dos problemas. No site da instituição está disponível uma cartilha para endividados que detalha os direitos dos consumidores inadimplentes e orienta também sobre casos que podem gerar rescisão de contratos e até dívidas com agiotas.

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