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21 de Maio de 2014, 16h:22 - A | A

POLÍTICA / CAMPANHA DE 2010

Silval pegou 4 milhões de agiota para campanha de 2010 e mantinha caderno de contas

Os depoimentos do delator à PF relatam que as transações financeiras, que teriam como beneficiado Silval Barbosa, eram feitas através do ex-secretário de Estado, Eder Moraes.

Divulgação

 À PF,  Mendonça também disse que já ouviu falar que Silval mantinha esse caderno em seu apartamento.

À PF, Mendonça também disse que já ouviu falar que Silval mantinha esse caderno em seu apartamento.

MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO



Citado como Sinval, Simval e Silval, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), aparece nas anotações apreendidas pela Polícia Federal no apartamento de Gercio Marcelino de Souza, pai do empresário que atualmente atua como delator nas investigações da Operação Ararath, como ‘cliente’ de diversos empréstimos feitos para sua campanha a governador em 2010.

O delator afirma ter visto o governador folhear o caderno em questão, quando foi recebido pelo mesmo para um acerto de contas.

 

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Quem trouxe o nome de Silval à tona,  em depoimentos à Polícia Federal, foi Gercio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, proprietário da Factorin Globo Fomento e da rede de combustíveis Amazônia Petróleo.

No inquérito investigativo do Supremo Tribunal Federal, o destaque dos depoimentos do delator sobre Silval é de que o governador manteria em seu apartamento, no Jardim das Américas, um caderno espiral, contendo as anotações de suas dívidas de campanha.

O delator afirma ter visto o governador folhear o caderno em questão, quando foi recebido pelo mesmo em seu gabinete para um acerto de contas.

À PF, Mendonça também disse que já ouviu falar que Silval mantinha esse caderno em seu apartamento, o que contribuiu para a decisão de executar o mandado de busca e apreensão no local.

Os depoimentos do delator à PF relatam que as transações financeiras, que teriam como beneficiado Silval Barbosa, eram feitas através do ex-secretário de Estado, Eder Moraes. Registradas em anotações diferenciadas do nome de Silval porque Júnior Mendonça, não tinha certeza sobre a grafia correta do nome do governador.

VÁRIOS EMPRÉSTIMOS

Entre as anotações apreendidas estão as expressões “SINVAL PESQUISA 300.000,00” ,que seria um valor solicitado por Eder para pagar uma pesquisa de intenções de voto para a reeleição do governador em 2010.

Outra anotação de “SIMVAL CONVENÇÂO PMDB”, datada de 23/06/2010 no valo de R$ 150 mil seria para custear despesas como frete de ônibus, comida, entre outros itens para a realização da convenção realizada no dia 23/06/2010.

Como garantia de pagamento, Júnior Mendonça relatou à PF que bastava uma assinatura de Eder Moraes.

Silval solicitou a quantia de R$ 7 milhões emprestados para investir na campanha

Quanto à dívida do famoso caderno espiral, Mendonça declarou que a mesma é referente a um empréstimo feito durante a campanha de 2010, em meados do mês de setembro.

Segundo o delator, ele teria ido até o apartamento do governador, junto ao então secretário de Fazenda do Estado, Edmilson José dos Santos, quando Silval solicitou a quantia de R$ 7 milhões emprestados para investir na campanha. Na ocasião, ‘apenas’ R$ 4 milhões teriam sido emprestados pelo delator, a juros de 3% ao mês.

COMO FOI PAGO

O inquérito investigativo aponta que o valor foi recebido de forma fracionada. Parte teria sido paga com diversos cheques para a conta da empresa Amazônia Petróleo, parte em espécie e parte mediante o pagamento de contas relacionadas com a campanha eleitoral, por intermédio de pagamentos às empresas: KGM Assessoria Institucional  (TED de R$ 62 mil), Sette Locação de Som e Luz (TED de R$ 114 mil) e Gráfica Print que teria sido responsável pela produção de material de campanha de Silval Barbosa.

Com todas essas informações o ministro Dias Toffoli concluiu:

“Esses elementos perfazem fundadas razões para autorizar busca e apreensão na residência de Silval Barbosa. E, quando menos, plausível que ele mantenha registro desses valores, de seu emprego ou guarde escritos, mesmo em meio virtual, que elucidem a cadeia de contratos e relacionamento que possibilitam a contratação desses empréstimos.

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