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28 de Janeiro de 2016, 18h:50 - A | A

POLÍTICA / CPI DO MPE

Paulo Prado reclama de deputados, mas confirma que irá depor

O promotor, que é o principal alvo das investigações juntamente com o ex-procurador Marcelo Ferra, destacou que não teme a CPI sobre pagamentos ilícitos das cartas de crédito.

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Procurador disse que irá depor com tranquilidade em CPI

Procurador disse que irá depor com tranquilidade em CPI

RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO



Apesar de discordar da medida, o procurador-geral de Justiça, Paulo Prado, disse que irá depor com “tranquilidade” na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa que vai investigar membros do Ministério Público Estadual (MPE) sobre o suposto recebimento ilícito de cartas de crédito, denunciado pelo ex-secretário da gestão Silval Barbosa (PMDB), e principal réu da Operação Ararath, Eder de Moraes, durante depoimento a CPI que apura irregularidade nas obras da Copa do Mundo.

“Acho que os deputados têm tantas coisas para fazer com o Meio Ambiente, fazer um levantamento administrativo de servidores, avaliar como está o Estado em relação à Saúde e Educação do que ficar instaurando CPI contra o órgão que é um exemplo nacional", disparou Prado.

“Vejo com tranquilidade, porque o Tribunal de Contas do Estado já faz isso, o Conselho Nacional do Ministério Público também, será mais um órgão para testar a lisura de como tudo é feito aqui dentro”, afirmou.

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Prado, que é o principal alvo das investigações juntamente com o ex-procurador Marcelo Ferra, destacou que não teme a CPI, mas defende que os deputados encontrem algo para fazer ao invés investigar o que está correto.

“Acho que os deputados têm tantas coisas para fazer com o Meio Ambiente, fazer um levantamento administrativo de servidores, avaliar como está o Estado em relação à Saúde e Educação do que ficar instaurando CPI contra o órgão que é um exemplo nacional, que está aí com a ‘Operação Lava Jato’, a prisão de um ex-governador e de três secretários estaduais”, disparou.

O procurador também rebateu as afirmações do deputado Wilson Santos (PSDB), de que a Assembleia irá mais fundo nas investigações, não só apenas da emissão de cartas de crédito, mas como na ordenação de despesas dos procuradores gerais da instituição. “Esse ex-prefeito e deputado estadual, que conhece os desafios de Mato Grosso, deveria estar mais focado nessas questões do que vir aqui no MPE, sabendo que aqui vai encontrar tudo correto. Isso faz parte da nossa rotina”, respondeu.

 

“Esse ex-prefeito e deputado estadual, que conhece os desafios de Mato Grosso, deveria estar mais focado nessas questões do que vir aqui no MPE, sabendo que aqui vai encontrar tudo correto"

CARTAS DE CRÉDITO 

A possibilidade de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito veio à tona após Eder denunciar que 47 membros do MP, entre promotores e procuradores de Justiça, que teriam recebido irregularmente valores que variam entre R$ 250 e 500 mil em créditos trabalhistas, as chamadas cartas de créditos. 

Eder aponta que os créditos foram pagos pela antiga Rede Cemat, que utilizou pagamentos de tributos que seriam da Fazenda Pública Estadual. Para que o processo de pagamento pudesse acontecer, os membros do MPE teriam utilizado a JBF Consultoria Tributária Ltda que recebeu R$ 250 mil para atuar no caso. No total a Cemat teria repassado cerca de R$ 10 milhões em créditos tributários.

Os atos irregulares teriam ocorrido entre 2008 e 2009 na gestão do então governador Blairo Maggi (PR), atual senador pelo PMDB. A Polícia Federal chegou a apreender uma lista na casa de Eder, durante a Operação Ararath, que continha nomes de procuradores e promotores do MP.

 

 

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