ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO
Após a Justiça Eleitoral cassar o mandato do prefeito de Várzea Grande, Walace Guimarães (PMDB), analistas políticos avaliam que a situação política e social da cidade mergulha ainda mais no caos e na instabilidade.
Walace perdeu o mandato acusado de “caixa dois”. De acordo com a Justiça, ele movimentou R$ 3,2 milhões durante a campanha de 2012, mas declarou pouco mais de R$ 1 milhão. Quem assume a prefeitura agora é Lucimar Sacre de Campos (DEM), segunda colocada no pleito.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
“E lá é assim. Se entra um, o grupo que está de fora não deixa o outro administrar. Bombardeia mesmo. O cidadão de Várzea Grande já está descrente da politica".
Segundo os analistas políticos Alfredo da Mota Menezes e João Edisom, a troca de prefeitos não causa mais segurança à sociedade várzea-grandense, já que há tempos o município vive esse “troca-troca”. Antes de Walace assumir, o ex-prefeito Murilo Domingos (PR) viveu uma guerra jurídica com seu vice Tião da Zaeli (PSD). Os dois caíram.
Em seguida, assumiu o então presidente da Câmara João Madureira (PSC), depois voltou Zaeli, que acabou renunciando ao cargo. Depois assumiu o na época presidente da Câmara Maninho de Barros (PSD). Este último chegou a convidar o ex-secretário de Estado Éder Moraes (PMDB) – que atualmente está preso por corrupção - para ser seu secretário de Governo.
“E lá é assim. Se entra um, o grupo que está de fora não deixa o outro administrar. Bombardeia mesmo. O cidadão de Várzea Grande já está descrente da politica. E a autoestima da cidade está no ‘chinelo’. O que está acontecendo agora é mais do mesmo”, avaliou Alfredo.
Para João, a nomeação de Lucimar não “acalma” aos anseios da população, que amarga precariedade em diversos setores sociais: Saúde, Segurança, Educação e Infraestrutura, por exemplo. As ruas de Várzea Grande chegam a ser consideradas intransitáveis, por conta da quantidade de buracos nas vias.
"A cidade tem que deixar de ser um bairro de Cuiabá, mas estamos voltando para viver mais do mesmo".
“Várzea Grande precisa mudar o rumo da política, porque eles não têm um prefeito que consiga projetar a cidade para o futuro. A cidade tem que deixar de ser um bairro de Cuiabá, mas estamos voltando para viver mais do mesmo, e não sabemos o que vai ser do município”, declarou o profissional.
Imagem pública
RepórterMT
Analista político João Edisom
Para os analistas, recuperar a imagem pública e política de Walace pode ser uma tarefa difícil, ou quase impossível. A palavra “cassação” impõe ao político a comprovação jurídica de todas as suspeitas negativas que pairavam sobre ele. Além disso, Walace ainda tem sobre si o peso do uso de dinheiro ilícito, em cifras milionárias.
“A cassação torna verdadeira todas as suspeitas, porque tem uma comprovação jurídica. No caso do Walace é mais complicado ainda porque o juiz se baseou em perícia, na quebra do sigilo bancário. É uma comprovação evidente", completou João Edisom.
MIDIA NEWS
Alfredo comenta caos político de VG
A cidade tem a terceira maior arrecadação do Estado. O Índice de Participação dos Municípios (IPM) deste ano atingiu o percentual de 4,091%, que em cifras representa o incremento de cerca de R$ 5,54 milhões no repasse que será feito pelo governo do Estado. “Poderia ser um exemplo para Mato Grosso, mas é uma tragédia política e social”, avalia Alfredo.
Lucimar é esposa do ex-senador Jaime Campos (DEM) e cunhada do ex-deputado federal Júlio CampoS (DEM), que também foi cassado em julho de 2014, acusado de compra de votos. Jaime chefiou Várzea Grade por dois mandatos. De 1983 a 1988, e de 1997 a 2004. Seu irmão Julio foi eleito prefeito de Várzea Grande pelo extinto partido ARENA em 1972.
INSEGURANÇA JURÍDICA
A reportagem consultou o especialista em direito eleitoral José Antônio Rosa para avaliar a possibilidade de Walace retornar ao cargo, travando uma batalha jurídicialcom Lucimar Campos pela cadeira do Paço Couto Magalhães. De acordo com ele, é difícil que ocorra novo “troca-troca” entre os chefes do Executivo.
"É logico que o Walace está tentando recorrer, até porque é um direito dele, mas acho praticamente impossível ele voltar”.
Reprodução
Especialista avaliza posse de Lucimar
Walace já recorreu. Ele entrou com Agravo de Instrumento pedindo suspenção da decisão. “Não há guerra jurídica. É logico que o Walace está tentando recorrer, até porque é um direito dele, mas acho praticamente impossível ele voltar”.
O advogado explicou também que a decisão judicial foi muito bem embasada. A nomeação de Lucimar segue norma eleitoral que determina a posse da segunda colocada nos casos onde o vencedor do pleito não alcança mais de 50% dos votos válidos. Lucimar obteve 32,78% dos votos, e Walace 35,14%.
“Não tem como ter uma nova eleição porque ninguém teve a maioria".
“Não tem como ter uma nova eleição porque ninguém teve a maioria. Se houvesse uma votação expressiva, com mais de 50% dos votos para o primeiro colocado, haveria novo pleito num prazo de 30 dias, e até lá o presidente da Câmara assumiria, mas nesse caso a Lucimar assume”, avalizou o especialista.


















