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04 de Junho de 2014, 08h:40 - A | A

POLÍTICA / RELAÇÕES COM AGIOTA

\"Ninguém fala por mim\", diz Silval sobre Eder Moraes e esquemas com Mendonça

Silval não explicou sobre seu envolvimento nas investigações que apontam sua participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, mas deu a entender em suas declarações que não autorizou Eder Moraes a agir em seu nome

Secom

Governador evitou comentar seu envolvimento no esquema investigado alegando estar sob sigilo do STF.

Governador evitou comentar seu envolvimento no esquema investigado alegando estar sob sigilo do STF.

DA REDAÇÃO



Em coletiva nesta terça-feira (03), o governador Silval Barbosa (PMDB), quebrou o silencio após a deflagração da quinta fase da Operação Ararath, no dia 20 de maio, mas não explicou sobre seu envolvimento nas investigações que apontam sua participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, mas deu a entender em suas declarações que não autorizou o ex-secretário de Fazenda do Estado, Eder Moraes a agir em seu nome.

“Ninguém fala por mim. Na pessoa do Silval nunca ninguém falou e nem fala”, frisou.

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Silval disse que não poderia comentar detalhes de ações relacionadas às investigações porque as mesmas correm em segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal, mas que irá responder de acordo com a lei.

“Eu já falei que estou sob sigilo. Eu estou sob sigilo do STF. Mas  eu estou muito tranquilo; tudo que foi levantado e colocado  vai ser respondido dentro do que determina a lei no processo”, pontuou.

SILVAL X EDER

De acordo com as declarações do agiota e dono da rede de combustíveis Amazônia Petróleo, foi um empréstimo de R$ 4 milhões, feito pessoalmente pelo então vice-governador Silval Barbosa, entre julho e agosto de 2008, destinado à campanha eleitoral, que teria dado início à sequência de transações que passaram a ser operadas pelo ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, preso no presídio da Papuda, em Brasília.

De acordo com o delator, o próprio Silval disse que a quantia deveria ser recebida de Eder, que começou então a movimentar uma “conta corrente” do Estado, junto ao agiota em nome de Silval e do então governador Blairo Maggi (PR).

Entre os documentos apreendidos na casa do pai do agiota, o nome de Silval aparece várias vezes em anotações que seriam referentes a outros empréstimos.

Entre as anotações apreendidas estão as expressões “SINVAL PESQUISA 300.000,00”, que seria um valor solicitado por Eder para pagar uma pesquisa de intenções de voto para a reeleição do governador em 2010.

Outra anotação de “SIMVAL CONVENÇÂO PMDB”, datada de 23/06/2010 no valo de R$ 150 mil seria para custear despesas como frete de ônibus, comida, entre outros itens para a realização da convenção realizada no dia 23/06/2010. 

AVALISTA DE AGIOTA

Em entrevista aos jornalistas, nesta terça-feira (03), o governador Silval Barbosa (PMDB) não negou que tenha feito ‘negócios’ com o agiota e empresário Júnior Mendonça, hoje delator das investigações da Operação Ararath. À imprensa, Silval declarou que assim como a maioria dos empresários de Cuiabá, conhecia Mendonça, que atuava com uma instituição financeira.

“Conheço sim. Todo mundo conhece. O Júnior Mendonça é uma figura pública porque todos os empresários tinham ele como um banco”, frisou.

Diante de uma nota promissória no valor de R$ 702 mil, assinada por ele, que seria referente a um suposto empréstimo feito junto a Júnior Mendonça, Silval alegou que sua assinatura consta no campo de avalista, portanto ele não teria feito o empréstimo.

“Parece que o Silval Barbosa, na campanha, aparece como avalista do Júnior Mendonça. É uma nota assinada como avalista em nome do emitente. Como que eu pego um dinheiro com um determinado cidadão e ele é emitente e eu sou o avalista?”, explicou.

 

A nota em questão foi datada em 20 de setembro de 2008, com vencimento para 20 de novembro de 2008.

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