Assessoria

Incomodada com as diversas repetições de perguntas, a diretora chegou a ameaçar a deixar a CPI por estar sendo acusada.
RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO
Sem o presidente Oscar Bezerra (PSB) e com uma atuação considerada fraca e repetitiva, os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, que investiga as Obras da Copa, sabatinaram nesta quarta-feira (18), a diretora do Departamento de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Luiza Gomide de Faria Vianna, denunciada por suposta adulteração em um parecer técnico para justificar a troca do modal de BRT para VLT.
“O secretário levou a proposta de alteração em uma reunião e solicitou a mudança. A alegação era que com o VLT teria menos desapropriações, porque o veículo ocupa menos espaço, além da aceitação do modal que era maior”, contou Luiza Viana.
Baseados na denúncia feita pelo servidor do Ministério das Cidades, Higor Guerra, responsável pelo parecer que apontava a inviabilidade da troca do modal BRT para o VLT, os deputados questionaram a diretora sobre a alteração na nota técnica 123. Luiza respondeu que o “procedimento é normal e a troca de modal foi decidida pelo governo do estado”, antes do processo chegar até ela.
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Por várias vezes a diretora repetiu que seu trabalho só entrou no projeto da Copa de Cuiabá, quando o modal já era definido como VLT e também que o processo de alteração foi apresentado para Comitê Gestor da Copa do Mundo (CGCOPA) – que tinha como membros representantes dos ministérios da Casa Civil, Cidades, Esporte, Fazenda, Turismo e Controladoria Geral da União - pelo ex-secretário da Secopa, Éder Moraes, porém a decisão para mudar foi em colegiado.
“Eu nunca vi esse projeto do BRT. Eu ainda não era a diretora de mobilidade urbana, esse trabalho foi feito pelo antigo diretor, não por mim”, rebateu Luiza.
“O secretário levou a proposta de alteração em uma reunião e solicitou a mudança. A alegação era que com o VLT teria menos desapropriações, porque o veículo ocupa menos espaço, além da aceitação do modal que era maior”, contou Luiza Viana.
O deputado Dilmar Dal’ Bosco (DEM) insistiu nas perguntas sobre a mudança nos projetos, acabou se confundindo com as próprias perguntas e respostas da depoente e terminou a CPI aparentemente nervoso. “Eu nunca vi esse projeto do BRT. Eu ainda não era a diretora de mobilidade urbana, esse trabalho foi feito pelo antigo diretor, não por mim”, rebateu Luiza.
Já o republicano Wagner Ramos queria encontrar um culpado, porém suas perguntas não surtiram efeito. Em determinado momento, Luiza Viana que estava na condição de testemunha reclamou que a CPI tinha a colocado na situação de investigada e sinalizou que iria deixar a comissão. Em seguida decidiu continuar a responder aos parlamentares. “Vocês me trouxeram na condição de testemunha e estão me culpando pelas obras paralisadas do VLT. Eu não tenho culpa, eu fiz apenas o enquadramento do projeto, depois ele passou pelo meu secretário, pelo ministro, e pela Caixa Econômica (...)”, desabafou.
“Vocês me trouxeram na condição de testemunha e estão me culpando pelas obras paralisadas do VLT. Eu não tenho culpa, eu fiz apenas o enquadramento do projeto", disparou
Ramos deixou a comissão insatisfeito. “A mulher foi denunciada e nós estamos aqui para buscar essas informações, para descobrir quem são os responsáveis pelo caos do nosso estado, no trânsito e nas obras da Copa que ficaram interditadas. Nós queremos investigar”, afirma o deputado.
A CPI também ouviu Mauriney Cezar Pinheiro da Silva, diretor de projetos da Eximia Engenharia e Consultoria, responsável pela elaboração dos projetos das obras do entorno da Arena.

















