DO REPÓRTERMT
A chamada “Emenda Master” colocou no mesmo tabuleiro político aliados dos governos Lula e Bolsonaro e passou a ser tratada como um dos pontos centrais da investigação sobre as conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Segundo a apuração, a proposta tinha como objetivo ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Na prática, a mudança poderia beneficiar diretamente o Banco Master, que dependia da venda de CDBs para captar recursos no mercado.
A emenda foi apresentada no Senado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro. A Polícia Federal apura se o texto teria sido elaborado pela própria estrutura do Banco Master e entregue ao parlamentar. Em mensagens citadas pela investigação, Vorcaro teria comemorado que a proposta saiu “exatamente” como queria.
Agora, o caso também alcança o núcleo político do governo Lula. A PF investiga se o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos principais aliados do presidente, teria atuado em pautas de interesse do Master. Nesta quinta-feira (18), a operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, teve como alvo endereços ligados ao parlamentar.
De acordo com a investigação, Wagner teria mantido relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e poderia ter recebido vantagens indevidas. Entre as suspeitas estão a possível aquisição de um imóvel e repasses a empresa ligada ao núcleo familiar do senador. Wagner nega ter recebido dinheiro ou qualquer vantagem indevida do Banco Master.
Ciro Nogueira também nega irregularidades. O senador afirma que a proposta sobre o FGC não tinha relação com favorecimento ao Banco Master e chegou a dizer que pretende reapresentar a emenda, sob o argumento de que o limite de cobertura está defasado.
A investigação mostra a amplitude das relações de Vorcaro em Brasília. O banqueiro, que já teve trânsito entre nomes do Centrão, aliados de Bolsonaro e integrantes do governo Lula, virou personagem de um escândalo que atravessa campos políticos opostos e aumenta a pressão sobre o Congresso.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Desde então, a apuração sobre fraudes financeiras, supostos pagamentos a políticos e articulações legislativas abriu uma crise que ainda pode ter novos desdobramentos no Legislativo, no Executivo e no Judiciário.
















