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26 de Abril de 2014, 09h:30 - A | A

POLÍTICA / CASSAÇÃO DE EMANUEL

\"Câmara é uma casa de negócios que usa o povo como fachada\", avalia analista

Pelo menos esta é a opinião do jornalista e analista político Onofre Ribeiro, que em entrevista ao RepórterMT, comparou o Legislativo cuiabano a uma estrada, que precisasse arrancar de suas margens as árvores podres.

RepórterMT

Em voto aberto 20 vereadores aprovaram cassação de João Emanuel.

Em voto aberto 20 vereadores aprovaram cassação de João Emanuel.

MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO



Apesar de ter cassado o mandato do vereador João Emanuel (PSD), nesta sexta-feira (25), após quatro meses de um processo que investigou a quebra de decoro parlamentar, a Câmara Municipal de Cuiabá ainda estaria longe de limpar a imagem da Casa.

Pelo menos esta é a opinião do jornalista e analista político Onofre Ribeiro, que em entrevista ao RepórterMT, comparou o Legislativo cuiabano a uma estrada, que precisasse arrancar árvores de suas margens.

“ Imagina uma estrada que tenha um tronco de árvore caído atravessado. Você  tira o tronco. Aparentemente, ficou limpa, né? Mas e se ao longo da estrada tiver cheia de troncos caindo? Você tem primeiro que limpar a beirada, para depois limpar a estrada. É o que está acontecendo na Câmara. Eles não limparam a imagem de jeito nenhum. Eles resolveram uma situação que estava pesando,  mas não limpou. A  imagem da Câmara, para limpar vai levar anos”, declarou Onofre.

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Para o analista político, o principal problema da Casa é que seus membros não realizam de fato o papel para o qual foram eleitos, usando os próprios eleitores como ‘fachada’.

“Primeiro: a Câmara não tem projeto para a sociedade. Segundo: não tem plano de trabalho. Terceiro: os partidos não têm autoridade em cima dos vereadores e quarto: ali se tornou como todo parlamento no Brasil. Se tornou uma casa de negócios e o povo é mera justificativa para eles fazerem negócio”, frisou.

Onofre pontua que a solução em limpar a imagem da Casa, não seria apenas cassar outro vereador que esteja sob suspeita de irregularidade administrativa, como é o caso do presidente da Mesa Diretora, vereador Júlio Pinheiro (PTB), mas sim uma reforma nacional no sistema político.

“Digamos que Júlio Pinheiro viesse a ser cassado,  uma hipótese, também não muda nada. Continua  a mesma imagem ruim. Tem que mudar mesmo é com uma reforma política para mudar o sistema político brasileiro”, ressaltou.

De acordo com o histórico de outras cassações de vereadores, da Câmara de Cuiabá, em mandatos anteriores, como Ralph Leite e Lutero Ponce, o analista acredita que a cassação de João Emanuel não tira efetivamente o vereador da Casa. Para Onofre, a partir de agora se dará uma briga judiciária que só terá fim ao termino do mandato. 

“Ele volta, assim como os outros. A Justiça os retornou mil vezes. A cassação vira agora uma grande ação judicial de perde e ganha até o final do mandato. Isso não serviu de nada, só resolveu um problema exposto,  mas a Câmara continua exposta”, analisou.

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Pedro Felix 26/04/2014

Parabéns analista. Aquilo é um covil de cobras e não vai mudar se não houver uma reforma política. Mas ela não vem, porque não interessa a classe política. A única saída que vejo é o povo na rua pressionando. Mas quando será? No mais, se a maioria votasse nulo, seria uma outra forma interessante de protesto. Saídas existem.

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1 comentários