PAULO COELHO
DA REDAÇÃO
Somente o ex-secretário da Secopa Maurício Guimarães será capaz de dar explicações “mais claras” sobre o caos e o desperdício de dinheiro ocorridos nas obras da Copa de 2014, especialmente quanto ao VLT, cujos trabalhos, previstos para serem concluídos ainda no ano passado, estão emperrados.
Essa é opinião unânime entre os membros da CPI das Obras da Copa, que na manhã desta terça-feira (14), ouviram três auditores do Estado.
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As informações que eles passaram nesta manhã à CPI foram mais técnicas do que práticas e esclarecedoras.
Porém, durante os depoimentos ficou constatado que esses auditores nunca tiveram independência para trabalhar em relação às obras da Copa e, assim, só agiam mediante as ordens de serviço ou determinação do ex-governador Silval Babosa (PMDB) e do ex-secretário Maurício Magalhães.
O ex-secretário foi convocado nessa terça e irá depor à CPI em data a ser definida pelos membros da Comissão.
A falta de independência para trabalhar foi alegada durante as oitivas desta terça, por três dos quatro auditores, convocados, pela CPI, na condição de testemunhas.
“Apenas agíamos quando havia a ordem de serviço ou determinação vinda do governo”, afirmou o auditor José Celso Dorileo.
Para o deputado Dilmar Dal Bosco (DEM), a falta de independência prejudicou o resultado dos trabalhos.
“Houve falha no que diz respeito à presença do Estado (auditagens), pois gastou-se muito dinheiro e nada efetivou-se e só se está fazendo alguma coisa agora (em 2015) devido ao decreto do governador Pedro Taques (PDT), por meio de uma ordem de serviço para que as providências sejam tomadas, mas isso só agora, pois lá atrás o Estado foi conivente com as coisas erradas”, apontou Dilmar.
O democrata ainda teceu duras críticas à antecipação de dinheiro para a compra dos vagões para o VLT, sendo que a obra sequer havia iniciada, no início de 2013.
O auditor Sílvio Leite de Barros, por sua vez, informou que o governo do Estado, por força de contrato pagou antecipadamente a uma empresa estrangeira, cerca de R$ 150 milhões referentes à compra dos vagões.
Esse valor teria sido pago em fevereiro de 2013 e a antecipação estaria prevista em edital.
“Comprou-se a carroça sem ter o boi para puxar e o dinheiro público que poderia ser usado para outros fins, ficou sem utilidade até agora,”, emendou, apontando que o dinheiro poderia ter sido aplicado, por exemplo, e assim, estaria hoje com significativo rendimento.
Entretanto, os vagões, sem qualquer utilidade já foram entregues há dois anos ao Estado, e estão ao relento, se deteriorando com chuva e sol, uma vez que as obras não avançaram.
Por serem depoimentos muito técnicos, os membros da CPI esperam os esclarecimentos por parte do ex-secretário da Secopa, Maurício Magalhães, que liderou todo o processo de aquisição e licitação relacionado às obras, principalmente o VLT.
Para Dal' Bosco, a falta de projetos e planejamento quanto ao VLT e demais obras da Copa, é clara até o momento, dada a dificuldade de compreensão e de acesso às reais informações.
Outra observação da CPI é que as mais recentes auditorias realizados pelo governo foram feitas em cima de um levantamento feito pelo consórcio Planserv VLT, responsável pelo gerenciamento das obras do VLT, quando deveria ter sido realizada de forma “inédita e independente”.
A CPI das Obras da Copa ainda está sem condições de contratar engenheiros técnicos para o auxílio dos trabalhos da Comissão. A Assembleia Legislativa ainda não autorizou a contratação da equipe de reforço técnico para a CPI.
Nesta quarta-feira, ás 15 horas, o depoente será Éder Moraes, ex-secretário do governo Silval Barbosa e que está preso em Cuiabá, acusado de crime de fraude imobiliária.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PSD), que também está preso (improbidade administrativa) deverá depor no dia 5 de maio.
Já Sival Barbosa (PMDB), que deporia também no início de maio, pediu para adiar sua ida à CPI para, “possivelmente”, dia 22 de junho.














